Governador de Roraima nomeia sobrinho e estado perde única secretária mulher

Com a escolha do delegado Vinícius Gonçalves para a Segurança Pública, Roraima deixa de ter representatividade feminina no primeiro escalão

Governador de Roraima nomeia sobrinho e estado perde única secretária mulher
Reunião do Consesp em Brasília; única mulher era Carla Jordanna Rodrigues, à direita ao fundo. Foto: Reunião do Consesp (Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública) em Brasília; até então única mulher, Carla Jordanna Rodrigues está à direita ao fundo

Com a nomeação do sobrinho para a Segurança Pública, governador de Roraima encerra representatividade feminina nas secretarias estaduais.

Nomeação de sobrinho para segurança pública altera cenário em Roraima

O governador de Roraima, Antonio Denarium, nomeou em janeiro de 2026 o delegado Vinícius de Souza Gonçalves, seu sobrinho, para a Secretaria de Segurança Pública. Esta decisão marcou o fim da presença feminina no comando das secretarias estaduais do Brasil, já que Roraima era o único estado com uma mulher à frente da pasta, a coronel da Polícia Militar Carla Jordanna Rodrigues.

Vinícius Gonçalves possui formação jurídica e ampla experiência profissional, incluindo o cargo de chefe do 1º Distrito Policial e sete anos como assessor no Tribunal de Justiça de Roraima. A Secretaria de Segurança Pública justificou a mudança como parte de um processo natural de renovação na gestão, visando dinamizar ações administrativas e aprimorar os serviços públicos oferecidos.

Impacto da ausência feminina no comando das forças de segurança

A saída de Carla Jordanna Rodrigues do comando da Secretaria de Segurança Pública de Roraima representa um retrocesso na representatividade de mulheres em cargos de liderança na segurança pública. Rodrigues, com 18 anos de carreira na Polícia Militar, destacava a importância da atuação feminina para promover um atendimento mais humanizado à população e um cuidado maior com o bem-estar dos policiais.

Especialistas alertam que a exclusividade masculina nos postos de comando pode influenciar negativamente as políticas públicas de segurança, limitando a diversidade de perspectivas e estratégias adotadas.

Contexto nacional da participação feminina na segurança pública

A baixa presença feminina em cargos estratégicos do setor não é exclusividade de Roraima. No âmbito federal, o Ministério da Justiça, com mais de 200 anos de existência, foi sempre comandado por homens. Atualmente, o secretário nacional de Segurança Pública também é um homem, enquanto somente uma mulher já ocupou essa função no passado.

No Brasil, políticas institucionais ainda impõem limites à participação feminina nas polícias militares, fixando percentuais máximos para ingresso. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam que, em 2023, apenas 12,85% dos policiais militares eram mulheres, e dessas, pouco mais de 10% ocupavam cargos de comando.

Relações familiares e política na gestão de Roraima

A nomeação do sobrinho do governador, que também é filho da secretária de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social, Tânia Soares de Souza, destaca a presença de relações familiares na composição do primeiro escalão do governo. Tal fato pode suscitar questionamentos sobre critérios de seleção e a influência de vínculos pessoais em decisões políticas.

Desafios para a ampliação da representatividade feminina nas forças de segurança

O cenário atual revela desafios estruturais para aumentar a participação feminina nos cargos de liderança dentro das forças de segurança pública. Para além de políticas inclusivas, é necessário enfrentar preconceitos históricos e institucionais que limitam o avanço das mulheres no setor.

Incentivar a ascensão feminina pode contribuir para políticas mais equilibradas e efetivas, refletindo a diversidade da sociedade e promovendo uma segurança pública mais sensível às diferentes necessidades da população.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Reunião do Consesp (Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública