Recuperação extrajudicial avança entre grandes empresas brasileiras

Uso da recuperação extrajudicial cresce desde 2021, com maior adesão de companhias de grande porte, principalmente em São Paulo

Recuperação extrajudicial avança entre grandes empresas brasileiras
Painel S.A. Foto:

Recuperação extrajudicial cresce entre grandes empresas, tornando-se alternativa eficaz e menos custosa para reestruturação de dívidas no Brasil.

Crescimento da recuperação extrajudicial entre grandes empresas em São Paulo

A recuperação extrajudicial, como ferramenta para reestruturação de dívidas, tem avançado significativamente entre grandes empresas brasileiras, especialmente aquelas sediadas em São Paulo. Em 2025, 86,9% dos 145 pedidos de recuperação extrajudicial foram feitos por companhias de grande porte, conforme levantamento do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial. Desde 2021, quando o recurso passou a ter previsão legal, foram registrados 210 casos em todo o país. Juliana Biolchi, diretora do Observatório, aponta que a recuperação extrajudicial é vista como um instrumento mais eficiente, menos custoso e menos disruptivo que a recuperação judicial tradicional.

Diferenças entre recuperação extrajudicial e judicial na gestão de dívidas

Ao contrário da recuperação judicial, que requer autorização prévia da Justiça e impõe bloqueio das execuções de dívidas por 180 dias, a recuperação extrajudicial permite que as empresas negociem diretamente com seus credores antes de qualquer intervenção judicial. Essa característica reduz os impactos negativos para a imagem e o acesso ao crédito das companhias. O processo extrajudicial favorece uma abordagem mais ágil e flexível na renegociação das dívidas, possibilitando uma gestão financeira estratégica para a continuidade das operações.

Perfil das empresas que utilizam a recuperação extrajudicial no Brasil

O perfil das empresas que recorrem à recuperação extrajudicial ainda é predominantemente de grandes companhias, mas há sinais de diversificação. Em 2025, foram registrados dez pedidos por médias empresas e nove por pequenas, demonstrando uma expansão gradual do uso do mecanismo. Além disso, observa-se um aumento no uso por grandes empresas com menor capital social, que diminuíram sua relação entre dívida e capital investido, indicando uma antecipação na adoção do instrumento para evitar crises maiores.

Impactos econômicos e estratégicos da recuperação extrajudicial

A crescente utilização da recuperação extrajudicial traz efeitos positivos para o mercado econômico brasileiro. A ferramenta contribui para evitar processos judiciais longos e onerosos, preservando empregos e a continuidade dos negócios. Além disso, ao reduzir o impacto na reputação corporativa, facilita a manutenção de linhas de crédito e relações comerciais essenciais para a sustentabilidade das empresas. Essa modalidade representa uma evolução nos mecanismos de recuperação financeira, promovendo maior eficiência e cooperação entre devedores e credores.

Desafios para a expansão e diversificação da recuperação extrajudicial no Brasil

Apesar do crescimento, a recuperação extrajudicial ainda é pouco explorada por empresas de menor porte no Brasil. Barreiras como desconhecimento do instrumento, desconfiança dos credores e limitações na capacidade de negociação direta podem restringir seu uso. A ampliação do acesso depende de maior disseminação de informações, capacitação dos gestores financeiros e incentivos regulatórios que favoreçam a adoção dessa forma de reestruturação, potencialmente democratizando seus benefícios para diferentes setores e portes empresariais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br