José Antonio Carvalho Góes teve múltiplas profissões e enfrentou a ditadura militar, sendo conhecido pelo amor aos filhos e resistência política

José Antonio Carvalho Góes foi fotógrafo, terapeuta e pai dedicado, enfrentando a ditadura e deixando legado familiar e profissional.
A múltipla trajetória de José Antonio Carvalho Góes
José Antonio Carvalho Góes, cuja vida se desenrolou entre São Paulo, Londres e Paris, destacou-se por exercer múltiplas profissões ao longo de sua existência. Entre elas, fotógrafo, terapeuta, administrador de olaria e dono de bar. Porém, sua maior dedicação foi como pai de quatro filhos, papel que abraçou com entusiasmo e presença diária.
Nascido em 1947 em São Paulo, Zé, como era chamado, foi segundo filho de uma família de descendentes portugueses. Desde jovem, demonstrou inquietação diante do cenário político brasileiro, participando ativamente de movimentos de resistência à repressão da ditadura militar. Seu engajamento político o forçou a buscar exílio em Londres e Paris em 1971, para escapar da perseguição dos agentes do regime.
Resistência política e exílio na Europa
Durante o ápice da repressão política no início dos anos 70, José Antonio enfrentou um período turbulento. Em Londres e depois Paris, enquanto vivia em condições precárias, exercendo trabalhos braçais para sobreviver, conheceu sua primeira esposa, a francesa Giliane. O exílio, apesar do sofrimento, marcou uma fase de aprendizado e resistência, que fortaleceu seu compromisso com causas sociais e políticas.
Após quase dois anos fora do Brasil, retornou com Giliane, onde tiveram dois filhos. Mais tarde, casou-se novamente, formando uma família com a segunda esposa, Bárbara, ampliando seu papel de pai presente e dedicado, uma característica pouco comum entre os homens de sua geração.
Contribuições à fotografia e à terapia
A carreira de Zé na fotografia teve grande relevância, especialmente em São Paulo. Proprietário de um estúdio e posteriormente de uma escola na avenida 9 de Julho, sua influência ajudou a formar vários fotógrafos renomados do país. A atuação como fotógrafo da Sabesp destaca sua versatilidade e reconhecimento profissional.
No início dos anos 2000, decidiu diversificar sua atuação profissional, abrindo um bar com um amigo e assumindo funções administrativas em uma olaria ligada à sua terceira esposa, Lúcia. Além disso, atuou como terapeuta, mostrando seu interesse profundo nas relações humanas e no bem-estar.
O papel singular como pai e homem familiar
Maria Brant, enteada de José Antonio, destaca seu caráter diferenciado: “Ele foi um homem maternal, sempre presente, cuidando dos filhos com prazer, cozinhando e acompanhando no dia a dia, diferente dos homens da geração dele.” A presença de Zé na rotina da casa e na educação dos filhos foi fundamental para a formação dos laços familiares fortes que ele deixou.
Maria também salienta a importância de Zé como “papito 2”, dando amor e apoio, além de unir os irmãos em uma família ampliada e acolhedora.
Saúde e legado deixado
Nos últimos anos de vida, José Antonio enfrentou um câncer de próstata, que estava controlado até o diagnóstico de leucemia mieloide aguda em dezembro de 2025. Sua morte ocorreu rapidamente, em 23 de dezembro, deixando um legado de amor e dedicação à família, além de contribuições significativas no campo da fotografia e terapia.
Ele deixa duas irmãs, quatro filhos e cinco netos, que ressaltam a importância de sua figura multifacetada e a marca de um homem que soube conjugar resistência, trabalho e afeto em sua trajetória.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Arquivo Pessoal





