Estudo revela mecanismo de reparo ocular que preserva a visão desses vertebrados longevos em ambiente de baixa luminosidade

Tubarões da Groenlândia vivem até 400 anos e possuem visão preservada graças a um avançado mecanismo de reparo de DNA.
Os tubarões da Groenlândia, conhecidos por serem os vertebrados mais longevos do planeta, podem viver por até 400 anos. Pesquisas recentes, publicadas em 5 de janeiro na revista Nature Communications, revelam que esses tubarões mantêm sua visão intacta mesmo após séculos, graças a um mecanismo eficiente de reparo do DNA. Esses animais conseguem preservar a retina sem sinais de degeneração, uma descoberta que desafia a ideia anterior de que seriam cegos devido ao ambiente escuro onde habitam. A médica-cientista Emily Tom destacou a importância dessas pesquisas para entender longevidade e visão em espécies extremas.
Métodos e descobertas sobre a visão dos tubarões da Groenlândia
Entre 2020 e 2024, os cientistas capturaram tubarões da Groenlândia perto da costa da Ilha Disko, utilizando linhas de pesca científicas. Os globos oculares, semelhantes em tamanho a uma bola de beisebol, foram cuidadosamente preservados para análise detalhada. Durante o estudo, não foram detectados sinais de morte celular nas retinas. A proteína rodopsina, fundamental para visão em ambientes com pouca luz, mostrou-se ativa e adaptada para captar a luz azul, predominante nas águas profundas do Ártico. Essa atividade sugere que a visão desses tubarões é funcional e ajustada ao seu habitat de baixa luminosidade.
Implicações do estudo para saúde humana e biomedicina
A líder da pesquisa, Skowronska-Krawczyk, aponta que os mecanismos identificados podem trazer avanços significativos para a medicina humana. O entendimento de como esses tubarões mantêm a integridade da visão por séculos pode inspirar novas abordagens para tratar doenças oculares degenerativas, como a degeneração macular e o glaucoma. Além disso, compreender os processos que preservam tecidos vivos por longos períodos pode contribuir para estratégias contra a perda de visão relacionada ao envelhecimento, um desafio crescente em sociedades com populações mais longevas.
Adaptações evolutivas em ambientes de baixa luminosidade
O habitat natural dos tubarões da Groenlândia apresenta condições extremas, com pouca luminosidade e frio intenso. A capacidade de manter uma visão funcional por centenas de anos demonstra adaptações evolutivas notáveis. A presença ativa da rodopsina ajustada para captar luz azul, combinada com mecanismos de reparo celular eficientes, evidencia um processo evolutivo que garante a sobrevivência e eficiência sensorial desses animais nas profundezas do Ártico. Essa descoberta amplia o conhecimento sobre como vertebrados podem se adaptar a ambientes desafiadores.
Desafios e futuro das pesquisas sobre tubarões de longa vida
Apesar da importância da pesquisa, o estudo destaca que poucos cientistas se dedicam ao estudo dos tubarões, especialmente em relação à visão. O financiamento para pesquisas nessa área é essencial para aprofundar o conhecimento sobre esses animais e suas habilidades únicas. Entender melhor como a visão evolui e como tecidos se mantêm saudáveis por longos períodos pode revolucionar não só a biologia marinha, mas também as estratégias médicas para promover longevidade e saúde ocular em humanos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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