Acordo entre Mercosul e UE reduz impostos e barateia alimentos europeus no Brasil

Chocolate, queijo, azeite e molho de tomate são alguns produtos que terão alíquotas gradualmente eliminadas com o tratado comercial

Acordo entre Mercosul e UE reduz impostos e barateia alimentos europeus no Brasil
Área de frios de um supermercado de Roma, na Itália. Foto: Andreas Solaro/AFP

O acordo entre Mercosul e UE prevê redução gradual de impostos para chocolates, queijos, azeites e outros alimentos europeus no Brasil.

Cronograma de redução de impostos para alimentos europeus no Brasil

O acordo entre Mercosul e UE, aprovado em 9 de janeiro de 2026, estabelece um calendário de diminuição gradual das alíquotas de importação para diversos alimentos consumidos no Brasil, incluindo chocolates, queijos, azeites e molhos de tomate. A partir do primeiro ano de vigência, as tarifas começam a ser reduzidas, culminando em isenções totais para a maioria dos produtos entre o décimo e o décimo quinto ano.

Impacto no consumo de chocolates, queijos e azeites europeus

Os chocolates importados que atualmente sofrem uma taxação de 20% no Brasil terão suas tarifas zeradas a partir do décimo ano do acordo. Para os queijos europeus, com alíquota atual de 16%, a isenção também ocorrerá após dez anos, limitada a uma cota anual de 30 mil toneladas para todo o Mercosul. Já os azeites, que hoje são taxados em 10%, terão a alíquota eliminada a partir do 15º ano, embora as reduções graduais beneficiem os preços desde o início do tratado. Esses ajustes refletem um potencial aumento de oferta e acesso a produtos reconhecidos pela qualidade na Europa.

Redução de alíquotas para molhos de tomate e frutas importadas

Os molhos de tomate, especialmente os italianos que dominam as importações brasileiras, terão suas taxas de 18% eliminadas em dez anos, o que pode incentivar maior variedade e competitividade no mercado local. Além disso, o kiwi importado, em grande parte proveniente da Grécia, Itália e Chile, terá redução integral da alíquota já no primeiro ano de vigência do acordo, ampliando o acesso a frutas importadas.

Benefícios para o agronegócio brasileiro e setores exportadores

Enquanto a Europa enfrenta resistências internas devido a temores sobre a competitividade da carne brasileira, o Brasil celebra o acordo que reduzirá tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários exportados ao bloco europeu. Carnes suínas, de frango, bovina, açúcar e óleos vegetais terão tarifas eliminadas, o que, segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), deve resultar em crescimento significativo das exportações até 2040. Entidades como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacam o avanço nas relações comerciais e a proteção a produtos regionais brasileiros por meio do reconhecimento recíproco de indicações geográficas.

Perspectivas e desafios para a aprovação do tratado comercial

Apesar do entusiasmo no Brasil, o tratado ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu para entrar em vigor. A expectativa é que esse passo fortaleça o comércio internacional bilateral, favoreça a indústria nacional e promova a diversificação dos produtos no mercado brasileiro. O acordo destaca-se pela tentativa de equilibrar interesses econômicos e a proteção de produtos tradicionais de ambos os blocos, apontando para mudanças estruturais no comércio entre Mercosul e União Europeia.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Andreas Solaro/AFP