China continuará líder em terras raras até 2035, mas crescimento da Malásia e EUA promete diversificar o mercado
Domínio chinês sobre terras raras reduzirá em 10 anos com Malásia e EUA ganhando espaço no refino e produção.
Domínio chinês sobre terras raras e a ascensão da Malásia na próxima década
O domínio chinês sobre terras raras, elemento estratégico para indústrias de tecnologia e energia, permanecerá forte até 2035, embora com redução significativa de sua participação no mercado global. Segundo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), China responderá por cerca de dois terços da produção refinada em 2035, uma queda de 16 pontos percentuais em relação a 2025. Destaca-se o crescimento da Malásia, que dobrará sua fatia no mercado de 4% para 9% até 2030, consolidando a Ásia como polo dominante na cadeia de produção.
Investimentos e expansão da indústria malaia de terras raras
A Malásia abriga a maior planta de processamento de terras raras pesadas fora da China, operada pela mineradora australiana Lynas. Em outubro de 2025, a Lynas anunciou aporte de US$ 121 milhões para ampliar sua refinaria, atualmente produzindo 1.500 toneladas anuais. Além disso, a empresa finaliza parceria com a sul-coreana JS Link para construção de fábrica de imãs superpotentes com capacidade de 3.000 toneladas por ano. Tais investimentos refletem o esforço global para diversificar a cadeia produtiva e reduzir dependência chinesa.
Estratégias governamentais impulsionando o setor na Ásia
O governo malaio, por meio do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação Chang Lih Kang, proibiu a exportação de terras raras para estimular processamento interno. Essa medida visa fortalecer a indústria local e aumentar valor agregado, alinhando-se ao movimento global de fortalecimento da cadeia de suprimentos.
Crescimento americano no refino de terras raras como resposta geopolítica
Os Estados Unidos também estão intensificando investimentos para ampliar sua capacidade de refino, projetando alcançar 7% do mercado em 2035. A estratégia pretende reduzir vulnerabilidades geopolíticas e econômicas decorrentes da forte dependência do fornecimento chinês, respondendo a tensões comerciais e disputas tarifárias recentes.
O Brasil e seu potencial ainda pouco explorado no mercado de terras raras
Embora o Brasil possua a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, sua capacidade de refino permanece limitada. O governo brasileiro criou grupo de assessoria para desenvolver o setor, buscando atrair investimentos e agregar valor à cadeia produtiva mineral. A relevância estratégica desses minérios é crescente em negociações internacionais, como evidenciado pela recente conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que visa reduzir tarifas e fortalecer interesses comerciais ligados às reservas brasileiras.
Cenários futuros e impactos para o mercado global de terras raras
A diversificação da produção e refino de terras raras com a entrada de novos players como Malásia e EUA deve reduzir o monopólio chinês e alterar a dinâmica geopolítica do setor. Esse movimento pode contribuir para maior estabilidade no fornecimento, redução de custos e incentivo à inovação tecnológica global. Entretanto, o desafio para países emergentes será equilibrar investimentos, regulação e sustentabilidade ambiental na exploração desses minerais estratégicos.





