Pacientes relatam violência obstétrica e descaso no Hospital Municipal Fernando Magalhães, referência para aborto legal na cidade

Denúncias expõem maus-tratos e violência obstétrica contra mulheres em hospital de aborto legal no Rio de Janeiro.
Maus-tratos a mulheres ganham denúncia oficial em hospital de aborto legal no Rio
Maus-tratos a mulheres foram denunciados no Hospital Municipal Fernando Magalhães, referência para aborto legal na cidade do Rio de Janeiro. Na última sexta-feira (9), pacientes gravaram vídeos relatando violência obstétrica e descaso durante procedimentos relacionados ao aborto legal. A vereadora Thaís Ferreira (PSOL) confirmou a autenticidade das gravações junto à superintendência do hospital e protocolou ofício solicitando esclarecimentos da Prefeitura do Rio e da Secretaria Municipal de Saúde.
Vídeos expõem relatos de violência e descaso em atendimento de aborto
Nos vídeos divulgados, mulheres identificadas como pacientes relatam estar internadas há dias sem o devido atendimento médico. Uma delas afirma que uma médica se recusou a atendê-la e a outras mulheres, entre as quais há uma menor de idade. As gravações indicam que, além de mulheres buscando aborto legal, há casos de abortos retidos, quando há necessidade urgente de intervenção médica para evitar complicações graves. A demora no procedimento pode acarretar riscos como infecções, agravando ainda mais a situação das pacientes.
Histórico do Hospital Fernando Magalhães e contexto legal do aborto no Rio
Inaugurado oficialmente em 1996, o Hospital Fernando Magalhães é um dos serviços mais antigos do Brasil dedicado ao atendimento do aborto legal, embora sua autorização tenha sido decidida em 1988. A unidade atende casos autorizados pela legislação brasileira, incluindo estupro, risco de vida para a gestante e anencefalia fetal, além de casos de aborto espontâneo e morte fetal. Segundo dados oficiais, foram realizados 384 abortos legais no Rio de Janeiro em 2024 e 143 até junho de 2025. Mesmo com essa oferta, denúncias anteriores já apontavam dificuldades de acesso e violência psicológica nesses serviços.
Impacto das denúncias e resposta das autoridades de saúde
A divulgação das denúncias reacende a discussão sobre a qualidade do atendimento em serviços de aborto legal e a necessidade de protocolos claros para evitar maus-tratos e garantir direitos das pacientes. Apesar do pedido formal da vereadora e da repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Saúde ainda não se manifestou oficialmente sobre as denúncias. O silêncio das autoridades pode agravar a sensação de vulnerabilidade das mulheres atendidas e dificultar a implementação de medidas corretivas.
Violência obstétrica e a importância do acolhimento no atendimento às mulheres
As denúncias evidenciam um problema recorrente na assistência obstétrica, que é a violência psicológica e o descaso com as mulheres em situações delicadas como o aborto legal e o aborto espontâneo. Essa violência compromete não somente a saúde física, mas também o bem-estar emocional das pacientes, demandando um olhar atento das políticas públicas e da formação profissional para garantir um atendimento humanizado e respeitoso. A participação da vereadora e o engajamento social são fundamentais para pressionar por melhorias e transparência neste serviço essencial.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro





