Setor avalia adaptação às novas regras da reforma tributária em 2027 para equilibrar custos entre fornecedores pessoa física e jurídica

Agronegócio planeja tabelas de preços diferentes para mitigar custos tributários que entram em vigor com a reforma fiscal de 2027.
Agronegócio planeja tabelas de preços diferentes para enfrentar reforma tributária de 2027
O agronegócio planeja tabelas de preços distintas para negociar a partir de 2027, ano em que a reforma tributária começará a impactar o setor de forma escalonada. Grandes empresas do segmento estudam essa estratégia para mitigar o aumento do custo tributário ligado à compra de fornecedores classificados como pessoa física, que representam a maioria dos produtores rurais. Essa iniciativa surge para compensar a ausência de comprovação no recolhimento de tributos que esses fornecedores terão, o que impede o aproveitamento de créditos fiscais pelos compradores.
Impacto da reforma tributária sobre pessoas físicas e jurídicas no agronegócio
A reforma tributária prevê que pessoas físicas com faturamento anual inferior a R$ 3,6 milhões ficarão dispensadas das obrigações acessórias, como a emissão de nota fiscal detalhando tributos pagos. Como resultado, esses fornecedores não serão considerados contribuintes do CBS, que substituirá o PIS/Cofins, nem do IBS, que substituirá o ICMS estadual. Essa ausência de comprovação tributária impede que os compradores aproveitem créditos fiscais, obrigando-os a recolher a alíquota integral do imposto nas vendas subsequentes, aumentando o custo final.
Estratégias para mitigar custos tributários e seus efeitos no setor
Companhias sementeiras, por exemplo, avaliam que poderão aproveitar créditos fiscais ao adquirir grãos de cooperados que faturam acima de R$ 3,6 milhões, considerados pessoas jurídicas. No entanto, para fornecedores pessoa física, esses créditos não estarão disponíveis, gerando passivo tributário diretamente para as compradores. Em resposta, as empresas consideram a criação de duas tabelas de preços, diferenciando os valores pagos conforme o tipo de fornecedor, para equilibrar esse impacto e manter a competitividade.
Mudanças estruturais esperadas no agronegócio após a reforma tributária
Especialistas indicam que essa diferenciação de preços pode estimular a transformação de produtores rurais pessoa física em pessoa jurídica, visando a adequação às novas regras tributárias e a possibilidade de aproveitar créditos fiscais. Essa transição teria impactos significativos na formalização do setor e na estrutura das cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.
Cronograma da implementação da reforma tributária e seus efeitos no agronegócio
A reforma tributária será implementada em etapas: 2026 será um período de testes; em 2027, o CBS substituirá o PIS/Cofins e será introduzido o Imposto Seletivo; entre 2029 e 2032 ocorrerá a transição para o IBS de estados e municípios; e em 2033 entrará em vigor o sistema tributário pleno, com o fim do ICMS e do ISS. Essas mudanças exigem adaptações empresariais e influenciam estratégias de precificação e relacionamento comercial no agronegócio.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





