Tarifa americana faz preço da carne subir e pressiona exportações brasileiras

O tarifaço do governo Donald Trump já impacta diretamente o bolso do consumidor nos Estados Unidos. O aumento atinge principalmente a carne usada em hambúrgueres e processados.

Entre 2 de abril e 18 de agosto, o preço de lotes de 45 quilos de carne para hambúrguer subiu de US$ 119 para US$ 180, alta superior a 50%. Outros cortes também ficaram mais caros: carne moída comum subiu 43% e cortes de qualidade intermediária ou alta registraram aumentos de até 23%.

Esses valores referem-se ao preço pago por grandes compradores, como redes de supermercados e restaurantes, e não ao preço final nas gôndolas.

EUA perdem posição de comprador da carne brasileira

Antes, os EUA eram o segundo maior comprador da carne do Brasil, atrás apenas da China. Em julho, passaram pelo México nas importações. O gasto norte-americano caiu de US$ 229 milhões em abril para pouco mais de US$ 70 milhões em julho, uma queda de 70%.

O tarifaço de 50% sobre a carne brasileira começou em 1º de agosto. O Brasil já intensificou negociações com importadores americanos e busca novos mercados, como Vietnã.

Brasil busca novos mercados para exportação

Na última semana, uma comitiva de 17 frigoríficos brasileiros visitou o Vietnã para tratar da exportação de carne bovina. O governo vietnamita avalia habilitar 86 frigoríficos, com duas plantas da JBS já aprovadas.

Além do tarifaço, fatores climáticos nos EUA também pressionam o preço da carne. Secas reduziram a pastagem, forçando o abate precoce e diminuindo os rebanhos.

Brasil aciona EUA na OMC

Em 6 de agosto, o governo brasileiro acionou os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as tarifas de abril e julho violam regras do comércio internacional. Trump, porém, argumenta que as medidas envolvem segurança nacional e não estão sujeitas à revisão da entidade.

EM ALTA

MAIS NOTÍCIAS!