Pesquisa da CNC indica redução de 0,3 pontos percentuais, mas mantém alta histórica para o mês
Endividamento das famílias cai 0,3 p.p. em dezembro de 2025, mas mantém nível elevado, diz pesquisa da CNC.
Contexto do endividamento das famílias brasileiras em dezembro de 2025
O endividamento das famílias brasileiras apresentou uma leve queda de 0,3 pontos percentuais em dezembro de 2025, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O índice passou de 79,2% em novembro para 78,9% no último mês do ano, marcando a menor taxa desde julho do ano anterior. O economista responsável pela análise no CNC aponta que essa redução, embora modesta, indica uma retomada no controle das finanças familiares após períodos de maior pressão econômica.
Apesar dessa retração mensal, o nível de endividamento para dezembro de 2025 permanece elevado, sendo o maior registrado para o mês na série histórica iniciada pela pesquisa. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, que registrou 76,7%, houve um acréscimo de 2,2 pontos percentuais, evidenciando a persistência das pressões sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Principais modalidades de dívidas em dezembro de 2025
O levantamento da CNC detalha que a maior parte das dívidas contraídas em dezembro foi através do cartão de crédito, responsável por 85,1% do total das obrigações financeiras. Em seguida, aparecem os carnês, com 16,2%, e o crédito pessoal, que representa 12,1%. Esses dados refletem o perfil de endividamento das famílias, que ainda dependem significativamente do crédito rotativo e das modalidades de empréstimo de curto prazo para suprir despesas mensais.
Especialistas ressaltam que o predomínio das dívidas no cartão de crédito pode indicar desafios para o equilíbrio financeiro, já que essa modalidade tende a apresentar juros elevados. A presença dos carnês e crédito pessoal também evidencia o uso de financiamentos para consumo e necessidades emergenciais, o que aponta para uma demanda reprimida e fragilidade econômica.
Evolução da inadimplência e projeções para 2026
Além do endividamento, a pesquisa da CNC monitorou o índice de famílias com dívidas em atraso, ou inadimplência, que apresentou queda de 0,6 ponto percentual, passando de 30% em novembro para 29,4% em dezembro de 2025. Essa redução é interpretada como um sinal positivo, apesar do patamar ainda elevado.
A CNC projeta que tanto o endividamento quanto a inadimplência devam continuar a apresentar tendências de queda durante o primeiro trimestre de 2026. As estimativas indicam uma redução gradual do endividamento para 78,7% em janeiro, 78,5% em fevereiro e 78,2% em março. Quanto à inadimplência, a previsão é de queda para 29,3%, 29,2% e 29,0% nos mesmos meses, respectivamente.
Impactos econômicos e desafios para o orçamento familiar
A manutenção de níveis elevados de endividamento e inadimplência, mesmo com pequenas quedas recentes, revela o desafio enfrentado pelas famílias brasileiras para equilibrar as finanças em um cenário de inflação persistente e crescimento econômico moderado. O uso intensivo do cartão de crédito e outras modalidades onerosas sugere que muitas famílias ainda dependem do crédito para consumo básico, o que pode comprometer o poder de compra futuro e aumentar a vulnerabilidade a choques econômicos.
Analistas destacam que políticas públicas e estratégias financeiras voltadas para educação financeira e acesso a crédito mais barato são fundamentais para reverter esse quadro e promover maior estabilidade econômica para as famílias. O acompanhamento contínuo dos dados da Peic será essencial para monitorar tendências e avaliar o impacto de medidas adotadas.
Metodologia da pesquisa e importância dos dados para o mercado
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) é conduzida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e tem como objetivo monitorar os índices de comprometimento financeiro das famílias brasileiras. Seus dados são fundamentais para que agentes econômicos, como instituições financeiras e formuladores de políticas públicas, possam compreender o cenário de crédito e endividamento no país.
Os números divulgados referentes a dezembro de 2025 reforçam a importância de avaliações periódicas para identificar pontos de atenção e auxiliar na formulação de estratégias que atendam à necessidade de equilíbrio financeiro das famílias e à estabilidade econômica nacional.
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Em suma, o endividamento das famílias brasileiras registrou uma leve diminuição em dezembro de 2025, mas segue em níveis historicamente elevados para o mês, com predomínio do cartão de crédito como meio de dívida. A inadimplência também recuou, indicando algum alívio financeiro, com projeções positivas para o primeiro trimestre de 2026. A análise detalhada desses indicadores é crucial para compreender o cenário econômico e os desafios futuros para a população.





