Governo busca retomar controle da pec da segurança com novo ministro da Justiça

Com a nomeação de Wellington César Lima, o governo Lula tenta avançar na aprovação da PEC da Segurança Pública antes do primeiro semestre de 2026

Governo busca retomar controle da pec da segurança com novo ministro da Justiça
Presidente Lula e o novo ministro da Justiça Wellington César Lima durante cerimônia de posse. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Com a chegada de Wellington César Lima, o governo Lula tenta retomar o controle da PEC da Segurança para aprová-la antes do retorno do recesso legislativo.

Governo Lula reforça articulação para avanço da PEC da Segurança no Congresso

A PEC da Segurança Pública voltou a ser prioridade para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva com a nomeação de Wellington César Lima para o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. A expectativa é que o novo ministro, conhecido por seu perfil técnico e habilidade negociadora, conduza a retomada das negociações para destravar a votação da proposta ainda na primeira semana de março de 2026, após o recesso legislativo que termina em 2 de fevereiro.

Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça, havia liderado a articulação, mas sua saída no final de 2025 interrompeu o processo, gerando a necessidade de reestruturação das estratégias governamentais. Wellington César Lima tem bom trânsito político, sobretudo com lideranças do PT baiano, como o senador Jaques Wagner, o governador Jerônimo Rodrigues e outros aliados próximos ao presidente Lula, o que pode facilitar o diálogo com o Legislativo.

Alterações significativas na PEC da Segurança provocam tensão interna

A versão atual da PEC, relatada por Mendonça Filho (União Brasil-PE), trouxe mudanças profundas em relação ao texto original enviado pelo governo. Entre as principais alterações estão a liberação para que estados legislem sobre políticas penais, uma maior descentralização da segurança pública e a inclusão de trechos polêmicos do PL Antifacção, como a proibição de presos provisórios votarem e a proposta de referendo para diminuir a maioridade penal em crimes violentos.

Essas modificações geraram preocupação dentro do Ministério da Justiça, que considera a descentralização como um retrocesso frente à proposta de integração das forças de segurança originalmente defendida pelo governo. Marivaldo Pereira, secretário de Assuntos Legislativos da pasta, ressaltou que a descentralização sacramentada na Constituição não condiz com o modelo que tem sido eficaz.

Principais pontos da nova versão da PEC da Segurança Pública

  • Fortalecimento do papel de Estados e Municípios nas políticas públicas de segurança;
  • Competência dos 26 Estados e Distrito Federal para legislar sobre políticas penais;
  • Ampliação da Polícia Federal para atuar em crimes ambientais;
  • Constitucionalização do Sistema Brasileiro de Inteligência, incluindo proteção especial para agentes;
  • Vedação de progressão de penas para criminosos violentos;
  • Criação da Polícia Municipal Comunitária, com regras específicas e transição para guardas municipais;
  • Autonomia para corregedorias e constitucionalização das ouvidorias de polícia.

Desafios políticos para aprovação da PEC em ano eleitoral

O governo enfrenta o desafio de resgatar o texto original da PEC enviado pelo Planalto em meio à resistência de parlamentares que apoiam a versão do relator. A tramitação deverá ser uma das primeiras pautas legislativas após o recesso, com o presidente da Câmara, Hugo Motta, indicando a conclusão da análise ainda no primeiro trimestre de 2026.

A aprovação da PEC é vista como estratégica para o governo, especialmente em um ano eleitoral em que a segurança pública é citada como a principal preocupação dos eleitores, segundo pesquisa Genial/Quest. Líderes do PT consideram que a proposta pode ser um trunfo político para aproximar eleitores em torno do projeto do governo.

Importância da PEC da Segurança para o cenário político e social

A PEC representa um avanço estrutural para a modernização do modelo de segurança pública brasileiro, apontado no documento interno do PT como fundamental para fortalecer a proteção dos direitos dos cidadãos. O debate sobre segurança pública sempre foi um ponto delicado para governos de esquerda, e a proposta busca responder a essa demanda crescente da sociedade.

A articulação do novo ministro Wellington César Lima será decisiva para superar os entraves existentes, alinhar interesses políticos e garantir que a PEC da Segurança avance no Congresso em tempo hábil para influenciar positivamente as eleições de 2026. O acompanhamento atento da sociedade e parlamentares sobre os detalhes da proposta também será fundamental para assegurar que as mudanças reflitam efetivamente melhorias no sistema de segurança pública do país.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Ricardo Stuckert/PR