Fundos da Reag investigada no caso Master devem continuar ativos, afirmam especialistas

Mesmo após liquidação extrajudicial da administradora, fundos precisarão encontrar nova gestão para evitar encerramento

Fundos da Reag investigada no caso Master devem continuar ativos, afirmam especialistas
Sede da Reag Trust, administradora cujos fundos estão sob investigação. Foto: Folhapress

Fundos da Reag investigada no caso Master devem seguir ativos apesar da liquidação extrajudicial, segundo especialistas consultados.

Fundos da Reag investigada no caso Master permanecerão ativos após liquidação extrajudicial

Os fundos da Reag investigada no caso Master não serão automaticamente liquidados após a decretação da liquidação extrajudicial da administradora em 15 de janeiro de 2026. Segundo especialistas financeiros, esses fundos continuarão ativos, embora necessitem buscar novas instituições para assumir sua administração. A liquidação dos fundos só ocorrerá caso nenhuma outra administradora aceite a responsabilidade.

Durante o processo, os fundos ficam congelados e sob supervisão do Banco Central, que atua para minimizar prejuízos aos investidores. Cristiano Correa, professor de finanças do Ibmec, explica que fundos com boa rentabilidade costumam encontrar administradores rapidamente, enquanto fundos pouco atrativos ou complexos enfrentam dificuldades nesse processo. Até que uma nova administradora seja formalmente indicada, os fundos permanecem bloqueados para movimentações, sem entrada ou saída de cotistas.

Impactos da liquidação extrajudicial da Reag na gestão dos fundos

A liquidação extrajudicial da Reag ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal, que apura o uso de fundos de investimento para inflar o patrimônio do Banco Master. Apesar da gravidade da situação da administradora, a relação da Reag com o caso Master não implica, por si só, impacto imediato nos fundos, conforme destaca Luiz Garcia, advogado tributarista e sócio do Tax Group. Entretanto, condutas inadequadas da administradora, como fraudes ou garantias indevidas, podem acarretar bloqueios cautelares e auditorias mais rigorosas, atrasando processos e afetando os investidores.

Procedimentos e prazos para transferência e liquidação dos fundos sob supervisão do Banco Central

O Banco Central é responsável por supervisionar o processo de transferência dos fundos para novas administradoras, indicando um liquidante temporário para conduzir eventuais liquidações e evitar prejuízos. Alexandre Chaia, professor de economia do Insper, ressalta que o processo costuma ser ágil, a menos que não haja interesse de outras instituições em assumir a gestão dos fundos. Nesse caso, o Banco Central poderá determinar a liquidação dos ativos, iniciando a venda e o pagamento aos investidores.

Prazos para liquidação variam conforme a complexidade dos fundos: fundos simples podem ser liquidados em 30 a 90 dias, enquanto fundos estruturados e com ativos ilíquidos podem levar meses. A rapidez e a eficiência do processo são cruciais para manter a confiança dos investidores e do mercado.

Riscos à confiança do mercado financeiro diante do processo de liquidação e transferência

Especialistas alertam para o risco à confiança do mercado caso o processo de transferência dos fundos da Reag investigada no caso Master enfrente obstáculos significativos. Caso investidores comecem a registrar prejuízos relevantes, pode surgir desconfiança quanto à segurança das aplicações, especialmente em situações de intervenção financeira.

O Banco Central, ao decretar liquidação extrajudicial, sinaliza que a instituição apresenta problemas irrecuperáveis, mas que outras instituições não liquidadas seguem em conformidade com as normas. A transparência e a gestão adequada durante o processo são fundamentais para evitar efeitos negativos generalizados.

Contexto da investigação e desdobramentos recentes envolvendo a Reag e o Banco Master

A Reag Trust teve a liquidação decretada um dia após a Polícia Federal deflagrar a segunda fase da operação Compliance Zero, destinada a investigar o uso de fundos de investimento para manipular o patrimônio do Banco Master. Entre os alvos da investigação estão Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e empresários como Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag. Mansur deixou a presidência do Conselho da Reag em setembro de 2025, durante uma crise provocada por outra investigação, a operação Carbono Oculto.

Além de medidas judiciais e operacionais, o caso envolve operações de bloqueio de bens e auditorias para esclarecer práticas fraudulentas. A liquidação extrajudicial é uma medida adotada para preservar o sistema financeiro nacional, podendo ser seguida por processos judiciais de falência, dependendo das decisões do liquidante e do Banco Central.

Este cenário evidencia a complexidade e os desafios da gestão de fundos durante crises financeiras e investigações, destacando a importância da supervisão regulatória e do papel dos investidores na definição dos rumos dos ativos afetados.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress