Liquidante da Reag atua com experiência de ex-servidor do Banco Central

Antônio Pereira de Souza, responsável pela liquidação da Reag DTVM, tem histórico na gestão de processos complexos de liquidação bancária

Liquidante da Reag atua com experiência de ex-servidor do Banco Central
Antônio Pereira de Souza, novo liquidante da Reag DTVM. Foto: Adriano Machado

Antônio Pereira de Souza assume a liquidação da Reag DTVM com experiência adquirida no Banco Central e no processo do Bamerindus.

A trajetória profissional do liquidante da Reag DTVM

A nomeação de Antônio Pereira de Souza como liquidante da Reag DTVM representa a ação de dissolver a gestora com base em ampla experiência adquirida durante mais de duas décadas no Banco Central (BC) do Brasil. Souza atuou como servidor do BC entre 1984 e 2008, período em que participou de processos cruciais de fiscalização e liquidação bancária. Sua principal referência anterior foi a gestão da liquidação do Banco Bamerindus, uma das maiores instituições financeiras brasileiras liquidadas no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000.

O papel de Souza na liquidação do Banco Bamerindus

O processo de liquidação do Bamerindus foi iniciado em 1997, contudo, foi em 2008 que Antônio Pereira de Souza assumiu oficialmente a função de liquidante, sucedendo Sérgio Rodrigues Prates. Ele conduziu o encerramento da liquidação até 2014, quando o BTG Pactual adquiriu o espólio do banco e suas subsidiárias, encerrando formalmente o processo. Essa experiência confere a Souza um conhecimento aprofundado sobre os procedimentos e desafios que envolvem a dissolução de instituições financeiras em situações críticas.

A ligação entre a Reag e investigações da Polícia Federal

A liquidação da Reag DTVM, agora sob responsabilidade técnica de Souza, foi decretada pelo Banco Central em meio a investigações da Polícia Federal ligadas à operação Compliance Zero. Essa operação apura um esquema bilionário de desvio de recursos e aquisição fraudulenta de ativos envolvendo o Banco Master, também liquidado em novembro, e fundos geridos pela Reag. A conduta da gestora, apontada como facilitadora de ilícitos, violou normas essenciais de compliance, auditoria interna e gerenciamento de riscos, o que motivou a decisão do BC para proteger o sistema financeiro nacional.

Estrutura institucional da liquidação da Reag

Formalmente, Souza figura como responsável técnico pela liquidação da CBSF DTVM, nome atual da Reag DTVM. A empresa APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda., criada em 2022 e localizada em Boa Vista, bairro de classe média em Curitiba (PR), é a liquidante oficial, tendo Souza como único sócio. A estrutura modesta da APS contrasta com a complexidade do processo de liquidação que enfrenta, demonstrando que o foco está na experiência técnica e na gestão rigorosa das etapas da dissolução.

Consequências para o sistema financeiro nacional e o mercado

A decisão de liquidar a Reag DTVM reflete a preocupação das autoridades financeiras em manter a disciplina e a segurança no Sistema Financeiro Nacional (SFN). A tolerância limitada a irregularidades e o histórico problemático da gestora indicam que medidas intermediárias, como intervenções, seriam insuficientes para sanar as falhas identificadas. O caso ressalta a importância do rigor regulatório para preservar os interesses dos investidores e a confiança dos mercados financeiros e de capitais no Brasil.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Adriano Machado