Autoridade de Santos recorre contra suspensão da licitação do condomínio logístico

Recurso questiona decisão judicial que suspendeu cessão de área estratégica no Porto de Santos para empreendimento logístico

Autoridade do Porto de Santos recorre da suspensão da licitação para o condomínio logístico, contestando decisão judicial baseada no PDZ.

Contexto do recurso da autoridade sobre a licitação do condomínio logístico

A licitação do condomínio logístico no Porto de Santos está sob análise judicial desde dezembro de 2025, quando a Justiça Federal suspendeu o processo. A Autoridade do Porto de Santos recorreu contra essa decisão, afirmando que a cessão da área de 260 mil m² para o Condomínio Logístico da Margem Direita (CLMD) respeita o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) vigente. A licitação do condomínio logístico é vista como um passo estratégico para modernizar a infraestrutura portuária e logística da região, melhorando a fluidez das operações e reduzindo o congestionamento de caminhões.

A polêmica sobre o enquadramento da área no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento

A Abratec, representando os terminais de contêineres, questiona a classificação da área destinada ao CLMD, argumentando que, de acordo com o PDZ, essa região é estratégica para operações portuárias e deveria ser preservada para ampliação da capacidade de movimentação de contêineres. Em contrapartida, a Autoridade de Santos explica que o PDZ de 2020 classifica o local como área não afeta diretamente às operações portuárias, sendo adequada para funcionar como um pulmão logístico e truck center, operando fora da janela operacional dos navios. Essa divergência sobre o uso da terra é central para o debate jurídico e administrativo que envolve a licitação.

Impactos econômicos e estratégicos da licitação para o Porto de Santos

A criação do condomínio logístico visa concentrar serviços de armazenagem, movimentação e transporte em um único espaço, potencialmente reduzindo custos e tempos de espera nos acessos ao porto. O projeto pode contribuir para a eficiência da cadeia logística, beneficiando exportadores, importadores e operadores portuários. No entanto, a Abratec aponta que o valor do arrendamento ofertado no edital, de R$ 1,20 por m² ao mês, está abaixo do mercado e pode não refletir a importância estratégica da área, comprometendo a receita e o interesse público. Além disso, a ausência de estudos técnicos e econômicos completos e a falta de audiências públicas levantam dúvidas sobre a transparência e a viabilidade do procedimento licitatório.

Aspectos legais e regulatórios que permeiam o caso no Porto de Santos

A suspensão da licitação também se apoia no descumprimento da Lei da Liberdade Econômica e na ausência de validação por órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério de Portos e Aeroportos. A Abratec requer que um novo processo licitatório seja conduzido com ampla concorrência, respeito ao PDZ e supervisão destes órgãos, garantindo segurança jurídica e alinhamento ao planejamento portuário nacional. A Autoridade de Santos, por sua vez, enfatiza o cumprimento dos prazos e a correta classificação da área conforme o PDZ atual.

Próximos passos e desdobramentos esperados na licitação do condomínio logístico

O recurso apresentado pela Autoridade do Porto de Santos tramita na esfera judicial, podendo reverter ou manter a suspensão da licitação. Enquanto isso, a discussão envolvendo planejamento urbano e portuário, interesse público e desenvolvimento logístico permanece em destaque. O desfecho desse processo terá impacto direto na expansão e modernização do maior porto do país, influenciando a competitividade do setor logístico brasileiro e o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e gestão territorial.