Presidente fragilizado pela saída de grupos aliados e investigações policiais terá seu futuro decidido em sessão híbrida nesta sexta-feira

Julio Casares encara votação de impeachment no São Paulo sob suspeita de desvios financeiros e perda de apoio de grupos aliados.
Confira a votação de impeachment contra Julio Casares no São Paulo
Na sexta-feira (16), a partir das 18h30 (de Brasília), o Conselho Deliberativo do São Paulo realiza a votação secreta do pedido de impeachment do presidente Julio Casares. A sessão será híbrida, com participação presencial no Salão Nobre do Morumbi e também online, decisão autorizada pela Justiça para garantir acesso a todos os conselheiros, incluindo aqueles em período de férias ou com dificuldades de deslocamento.
Ao todo, 254 conselheiros estão aptos a votar. Para que o impeachment seja aprovado, são necessários dois terços dos votos, o equivalente a 171 votos, e um quórum mínimo de 75% (191 conselheiros). A oposição estima contar com pelo menos 182 votos favoráveis ao afastamento, devido à saída de quatro grupos aliados da base de Casares.
A perda de apoio político e sua influência na votação
A votação de impeachment contra Julio Casares ganha força diante da fragilidade política do presidente, que perdeu o suporte de grupos importantes como Legião, Vanguarda, Sempre Tricolor e Participação — esta última ligada diretamente à sua chapa. Essa reconfiguração interna no clube ampliou a confiança da oposição em conseguir os votos necessários para destituí-lo.
Entre os opositores está Harry Massis Junior, vice-presidente do São Paulo, que assumiria o cargo em caso de afastamento de Casares. Empresário e conselheiro vitalício, Massis Junior representa um símbolo da mudança no cenário político do clube, reforçando o desgaste do presidente até então sustentado por coalizões diversas.
As suspeitas de desvios financeiros e o impacto nas investigações
O impeachment é motivado principalmente por suspeitas de desvios associados a Julio Casares. Investigações da Polícia Civil apontam movimentações financeiras suspeitas envolvendo R$ 1,5 milhão em dinheiro e 35 saques que totalizam R$ 11 milhões em contas do São Paulo. Essas apurações estão em segredo de Justiça e monitoradas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
A defesa do presidente nega irregularidades, alegando que as movimentações têm origem lícita compatível com a carreira profissional de Casares, que antes da presidência teve cargos executivos com remunerações elevadas. Documentos e declarações fiscais serão apresentados para esclarecer a origem dos recursos durante as investigações.
Decisão judicial e formato da votação
A sessão foi autorizada a ser realizada em formato híbrido por decisão liminar da juíza Luciane Cristina Silva Tavares, da 3ª Vara Cível do Butantã, que reconheceu a possibilidade estatutária do clube de realizar reuniões semipresenciais. Essa determinação foi uma vitória política para a oposição, que temia o esvaziamento da votação devido ao período de férias e à dificuldade de presença física de conselheiros idosos.
A Justiça negou recurso do São Paulo que tentava restringir a votação ao formato presencial, garantindo maior participação e transparência no processo decisório.
Consequências do afastamento e próximos passos
Caso a votação atinja os votos necessários para o impeachment, Julio Casares será afastado imediatamente da presidência. Contudo, a decisão ainda precisará ser ratificada em assembleia geral de sócios, convocada em até 30 dias após a votação no Conselho Deliberativo. Essa assembleia será composta por cerca de 50 mil sócios e a aprovação dependerá de maioria simples.
Esse processo marca um momento de intensa crise política e institucional no São Paulo, que terá repercussões tanto na gestão administrativa quanto na imagem do clube frente à sua torcida e ao cenário esportivo nacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress





