Lula celebra acordo Mercosul-UE em reunião com líderes europeus no Rio de Janeiro

Presidente do Brasil reforça protagonismo na assinatura do tratado comercial entre os dois blocos econômicos

Lula celebra acordo Mercosul-UE em reunião com líderes europeus no Rio de Janeiro
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Ursula von der Leyen durante encontro no Rio de Janeiro. Foto: colorida de Lula e Ursula von der Leyen

Lula se reúne com líderes europeus para celebrar acordo Mercosul-UE em evento no Rio, marcando avanço no comércio entre os blocos.

Evento no Rio de Janeiro reforça protagonismo de Lula e acordo Mercosul-UE

O acordo Mercosul-UE foi celebrado nesta sexta-feira (16/1) em uma reunião no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do chefe do Conselho Europeu, António Costa. Lula destacou o papel do Brasil na negociação do tratado, que busca facilitar o comércio com um mercado europeu de aproximadamente 450 milhões de consumidores.

Este encontro precedeu a cerimônia simbólica de assinatura do acordo, marcada para o dia 17 de janeiro em Assunção, no Paraguai, onde o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, representou o país. A decisão de Lula de não comparecer ao evento em Assunção foi motivada por divergências quanto ao caráter da reunião, que passou de ministerial para presença de chefes de Estado, medida contestada pelo governo brasileiro.

Impactos econômicos do acordo para o Brasil e o Mercosul

O acordo Mercosul-UE prevê a eliminação gradual de tarifas sobre produtos agrícolas e industriais, o que deve aumentar a competitividade das empresas brasileiras no mercado europeu e baratear as exportações. Setores como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja e grãos são apontados como grandes beneficiados, diante da redução de barreiras comerciais.

Além disso, a previsibilidade nas regras comerciais tende a estimular investimentos estrangeiros especialmente em infraestrutura, indústria e tecnologias no Brasil, ampliando o potencial de crescimento econômico do país. O acordo reúne Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, além dos 27 membros da União Europeia, contemplando um mercado conjunto de cerca de 780 milhões de consumidores.

Desafios políticos e ambientais nas negociações do acordo Mercosul-UE

As negociações técnicas do acordo foram concluídas em 2019, mas enfrentaram obstáculos políticos e ambientais, especialmente devido à resistência de setores agrícolas europeus, como os da França, que temem o impacto da concorrência. O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou oposição ao tratado.

No Parlamento Europeu, a votação prevista para abril enfrenta resistência interna, com cerca de 150 parlamentares ameaçando recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia para atrasar a aprovação, o que pode postergar a implementação do acordo por meses ou anos.

Expectativas para a ratificação e vigência do tratado comercial

O governo brasileiro estima que o acordo Mercosul-UE comece a vigorar no segundo semestre de 2026, após a ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos órgãos legislativos dos países membros do Mercosul. O vice-presidente Geraldo Alckmin espera aprovação célere no Congresso Nacional, sem maiores intercorrências.

Por sua vez, o presidente Lula planeja viajar ao Paraguai apenas ao final do primeiro semestre, após o término do mandato do atual presidente pro tempore do Mercosul, Santiago Peña, enfatizando o compromisso do Brasil com o bloco e a continuidade das negociações.

Perspectivas diplomáticas diante do atual cenário internacional

Apesar do acirramento recente de conflitos envolvendo Estados Unidos, Venezuela e Irã, as autoridades brasileiras e europeias optaram por concentrar a declaração pública na celebração do acordo Mercosul-UE, evitando abordar temas potencialmente controversos neste momento.

O encontro reservado entre Lula, Ursula von der Leyen e António Costa indica que assuntos de interesse bilateral e global podem ser tratados em caráter privado, garantindo maior flexibilidade diplomática e preservando a imagem da cooperação comercial recém-estabelecida.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: colorida de Lula e Ursula von der Leyen