Estudo revela: Chuvas históricas de 2024 no RS desencadearam recorde de deslizamentos no Brasil

Um estudo recém-publicado na revista Landslides revela que as intensas chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024, resultando em enchentes devastadoras, provocaram o maior evento de deslizamentos de terra já registrado no país. A pesquisa detalha a magnitude do desastre natural e suas consequências para o estado gaúcho. O estudo estava embargado até as 02:00 de 28/08.

De acordo com o estudo intitulado “O maior evento de deslizamento de terra do Brasil: análise preliminar do megadesastre no Rio Grande do Sul em maio de 2024”, foram identificados 15.376 deslizamentos de terra em uma área de aproximadamente 18 mil quilômetros quadrados, abrangendo 150 municípios do Rio Grande do Sul. Impressionantemente, 36 desses deslizamentos ultrapassaram a área de 100 mil m², equivalente a cerca de 14 campos de futebol. A dimensão da tragédia é alarmante.

A pesquisa, coordenada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com a colaboração de instituições nacionais e internacionais como o Instituto Federal de Goiás (IFG) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), oferece um panorama detalhado do impacto das chuvas. Os dados coletados apontam para a gravidade da situação e a necessidade de medidas preventivas para evitar futuros desastres.

Em comparação, o megadesastre de 2011 na região serrana do Rio de Janeiro, considerado o mais mortal do Brasil, registrou cerca de 4 mil deslizamentos induzidos por chuva. Outros eventos sísmicos globais, como o terremoto de 2015 no Nepal (4.312 deslizamentos) e o tremor de 2021 no Haiti (8.444 deslizamentos), também ficaram abaixo do número registrado no Rio Grande do Sul.

A análise aponta que a maioria dos deslizamentos de grande porte se concentrou em Bento Gonçalves, Veranópolis e Cotiporã. Clódis de Oliveira Andrades-Filho, professor da UFRGS e autor do estudo, explica: “Dois fatores foram muito importantes para os deslizamentos terem se concentrado nesses três municípios: maior concentração de chuvas intensas nessas regiões e esses municípios têm, em grande parte de seu território, encostas íngremes e propensas a deslizamentos no caso de chuvas intensas”. A vulnerabilidade da região, portanto, contribuiu para a intensidade dos deslizamentos.

O estudo identificou que os deslizamentos ocorreram principalmente em encostas com menor cobertura vegetal e maior intervenção humana, como desmatamento e construções. Além disso, 2.430 trechos de estradas foram afetados, isolando comunidades rurais e cidades. Os resultados da pesquisa são cruciais para entender a dinâmica dos deslizamentos e orientar ações de prevenção e mitigação de riscos em áreas vulneráveis.

Fonte: http://www.metropoles.com

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