Mercado de trigo no Sul enfrenta ritmo lento e desafios competitivos

Negociações travadas e disputa entre origens limitam preços e reduzem volume comercial na região Sul do Brasil

Mercado de trigo no Sul enfrenta ritmo lento e desafios competitivos
Mercado de trigo no Rio Grande do Sul apresenta exportação fragilizada. Foto: No Rio Grande do Sul, a exportação já não sustenta o mercado

O mercado de trigo no Sul do Brasil segue lento, com negociações travadas, disputa acirrada entre origens e preços limitados.

Contexto atual do mercado de trigo no Sul do Brasil

O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta um ritmo lento nas negociações, refletindo as dificuldades verificadas em janeiro e fevereiro, segundo análise da TF Agroeconômica. O cenário é marcado por uma forte disputa entre as origens do produto, o que limita a formação de preços e reduz o volume total de negócios. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, há características específicas, mas a tendência geral é de fragilidade na demanda e oferta restrita.

Situação do mercado no Rio Grande do Sul e impacto nas exportações

No Rio Grande do Sul, o mercado de trigo apresenta um enfraquecimento das exportações que antes sustentavam o setor. Os preços CIF para fevereiro estão em torno de R$ 1.130,00, refletindo a baixa demanda interna. Os moinhos enfrentam consumo reduzido, com relatos de paralisações após férias coletivas, o que afeta diretamente o ritmo das compras. Produtores com trigo para retirada em janeiro ou fevereiro encontram preços alternativos na Serra Gaúcha e em Ponta Grossa, Paraná, com valores entre R$ 1.140,00 e R$ 1.180,00 CIF. Para entregas programadas para março, os preços oscilam entre R$ 1.050,00 FOB e R$ 1.180,00 CIF.

A competitividade do trigo argentino cresce frente ao paranaense, embora continue perdendo espaço para o produto paraguaio. Essa dinâmica internacional influencia fortemente os preços regionais, afetando o valor pago ao produtor, que se mantém em R$ 54,00 por saca em Panambi.

Dificuldades no mercado catarinense e restrições para novos negócios

Em Santa Catarina, a expectativa de maior movimentação não se confirmou, mantendo o mercado travado. As operações são limitadas a embarques de lotes já contratados, com novas consultas ainda tímidas. A dificuldade na venda de farinhas, associada a preços baixos do produto final, inibe aquisições adicionais pelos moinhos. Os vendedores pedem valores próximos a R$ 1.250,00 FOB, enquanto os compradores oferecem cerca de R$ 1.200,00 CIF, resultando em negócios pontuais sem significância em volume. O trigo gaúcho mantém sua competitividade, e as operações ocorrem de forma esporádica, conforme os moinhos avançam em contratos específicos de farinha.

Estabilidade e lentidão nas negociações no Paraná

No Paraná, os preços do trigo permanecem estáveis, com moinhos abastecidos para janeiro e focados em compras para fevereiro. A movimentação do mercado é lenta, em função do desencontro entre prazos de entrega e condições de pagamento. No norte do estado, os valores nominais giram em torno de R$ 1.250,00 CIF, com vendedores solicitando valores ainda maiores. Nos Campos Gerais, as ofertas variam entre R$ 1.170,00 para janeiro e R$ 1.200,00 para fevereiro. A competitividade do trigo paraguaio é marcante, principalmente no Oeste do Paraná, que é a principal região moageira do estado.

Perspectivas para o mercado de trigo e efeitos regionais

A lentidão do mercado de trigo no Sul do país tem impactos diretos na cadeia produtiva e no abastecimento regional. A disputa entre origens e a fragilidade da demanda interna indicam um ambiente desafiador para produtores e compradores. Os preços limitados restringem o incentivo para novas safras e podem afetar o equilíbrio financeiro da cadeia. Além disso, a presença crescente do trigo paraguaio e argentino redefine as estratégias comerciais e a competitividade dos produtos locais, influenciando as políticas de compra dos moinhos e a dinâmica do mercado interno.

Fonte: www.agrolink.com.br

Fonte: No Rio Grande do Sul, a exportação já não sustenta o mercado