Candidato da direita radical obteve quase metade dos votos dos portugueses residentes no Brasil nas eleições presidenciais portuguesas
André Ventura conquistou 48,81% dos votos dos portugueses no Brasil nas eleições presidenciais de 2026, destacando-se frente aos demais candidatos.
Nas eleições presidenciais portuguesas de 2026, realizadas em 18 de janeiro, André Ventura, presidente e fundador do Chega — partido de direita com pautas conservadoras como o controle da imigração —, liderou a preferência dos portugueses residentes no Brasil, obtendo 48,81% dos votos.
Contexto da votação entre portugueses no Brasil
Os eleitores portugueses distribuídos em 10 consulados brasileiros participaram do pleito: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Salvador (BA). Apesar de haver 303.670 portugueses inscritos para votar, apenas 5.647 exerceram o direito, indicando baixa adesão ao processo.
Além de Ventura, os principais candidatos entre os portugueses no Brasil foram António José Seguro (PS), que obteve 21,9% dos votos, e Luís Marques Mendes (PSD), apoiado pelo partido do primeiro-ministro, ficando em terceiro lugar. Outros candidatos como João Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal), Henrique Gouveia e Melo (independente) e Catarina Martins (Bloco de Esquerda) tiveram percentual menor.
Resultado geral em Portugal e segundo turno histórico
No panorama nacional, Portugal enfrenta pela primeira vez em 40 anos um segundo turno presidencial, resultado da fragmentação entre os 11 candidatos que disputaram a presidência. Até a apuração parcial, António José Seguro liderava com 31,11% dos votos, seguido por André Ventura com 23,52%.
A fragmentação do eleitorado reflete a diversidade de posicionamentos políticos no país, desde partidos socialistas e social-democratas até forças à direita e à esquerda mais radicais.
Relevância do cargo presidencial em Portugal
No sistema semipresidencialista português, o presidente da República possui funções relevantes, incluindo a nomeação do primeiro-ministro, promulgação e veto de leis, convocação de referendos, comando das Forças Armadas e representação internacional do Estado. Também detém autoridade para dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições, conferindo ao cargo grande importância política.
Reações e apoios dos candidatos
Após o primeiro turno, candidatos como Luís Marques Mendes e João Cotrim Figueiredo não indicaram apoio explícito a nenhum dos finalistas. Já Henrique Gouveia e Melo alertou sobre o “perigo” que Ventura representaria para a democracia.
Na esquerda, António José Seguro recebeu declarações de apoio de membros do PCP e do Bloco de Esquerda, embora Catarina Martins tenha recomendado um voto crítico, alertando para uma “trumpização” da direita em Portugal.
Considerações finais
A liderança de André Ventura entre os portugueses no Brasil destaca as particularidades do eleitorado emigrante, cujas preferências podem diferir do eleitorado em Portugal. O segundo turno presidencial, atípico após quatro décadas, promete uma disputa acirrada entre as forças políticas que representam visões distintas para o futuro do país.





