Ministro Fernando Haddad destaca impacto da transição e dificuldades herdadas da gestão anterior do Banco Central
Fernando Haddad reconhece desafios enfrentados por Gabriel Galípolo no Banco Central, destacando a desancoragem das expectativas de inflação herdada da gestão de Campos Neto.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou em entrevista nesta segunda-feira (19.jan.2026) os desafios enfrentados por Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central (BC), sobretudo no que tange às expectativas de inflação. Segundo Haddad, a gestão anterior, liderada por Roberto Campos Neto, contribuiu para uma desancoragem das expectativas, dificultando a tarefa do atual presidente do BC.
Expectativas de inflação e instabilidade econômica
Haddad explicou que as expectativas de inflação têm papel crucial nas decisões econômicas, influenciando consumo e investimento. O Banco Central utiliza essas projeções para ajustar a taxa Selic, elevando os juros quando necessário para conter a inflação e manter a credibilidade da política monetária. No entanto, afirmou que a gestão anterior do BC, em declarações internas, chegou a mencionar que o dólar poderia atingir R$ 8, algo que não se materializou e contribuiu para desestabilizar as expectativas.
A transição e seus impactos
Ao comentar sobre o processo de transição entre as gestões, Haddad ressaltou que não foi um momento normal, pois Galípolo assumiu com diversos problemas herdados, inclusive a necessidade de reconstruir a credibilidade do BC. Apesar da taxa Selic estar elevada em 15% ao ano desde junho, Haddad reafirmou sua confiança em Galípolo e que indicaria novamente o presidente do BC para os cargos que ocupou.
Caso Banco Master e desafios regulatórios
Entre os desafios citados pelo ministro está o caso das fraudes no Banco Master, que segundo ele foram constituídas na gestão anterior e que Galípolo precisou enfrentar com competência. Haddad também criticou o prazo extenso dado inicialmente pelo Banco Central para que fintechs se adequassem às normas do Sistema Financeiro Nacional. A atual gestão antecipou o calendário para 2026, buscando evitar falhas de fiscalização decorrentes do período prolongado anteriormente estabelecido.
Perspectivas para o futuro da política monetária
Haddad reforçou que a atuação do Banco Central sob comando de Galípolo tem sido dedicada a recuperar a estabilidade e a confiança do mercado, enfrentando as dificuldades deixadas pela gestão passada. Ele acredita que esses esforços são essenciais para garantir um ambiente econômico mais previsível e sustentável, especialmente diante dos desafios globais e internos enfrentados pelo Brasil.
Este panorama revela a complexidade das decisões e o impacto das comunicações oficiais sobre as expectativas econômicas, ressaltando a importância da gestão técnica e equilibrada do Banco Central para a estabilidade financeira do país.





