Setor industrial registra alta de 1,2% no faturamento real em novembro, enquanto empregos caem pelo terceiro mês seguido

Faturamento da indústria cresce 1,2% em novembro, mas emprego cai 0,2%, marcando terceiro mês de retração no setor.
O faturamento da indústria de transformação brasileira registrou crescimento de 1,2% em novembro de 2025 na comparação com outubro, segundo indicadores divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Esse avanço interrompe uma sequência de três meses de queda, trazendo um alento para o setor, que enfrenta um cenário econômico desafiador.
Desempenho do faturamento e do emprego industrial
Apesar do aumento no faturamento, o emprego no setor industrial apresentou retração de 0,2% no mês, marcando a terceira queda consecutiva. A CNI destaca que o mercado de trabalho industrial perdeu ritmo a partir de setembro, acumulando uma retração de 0,6% até novembro.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, “a desaceleração da atividade industrial está atrelada ao atual patamar da taxa Selic, que se encontra em 15%, a mais alta desde 2006”. Ele explica que “demissões e contratações na indústria são processos custosos, especialmente devido à necessidade de qualificação da mão de obra, muitas vezes realizada internamente. Por isso, o emprego só começa a sofrer após meses consecutivos de resultados fracos na atividade industrial”.
No acumulado entre janeiro e novembro de 2025, o emprego industrial ainda apresenta uma alta de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando que o setor ainda mantém algum dinamismo no mercado de trabalho, apesar do recuo recente.
Rendimento médio e utilização da capacidade instalada
Outro indicador positivo em novembro foi a recuperação do rendimento médio dos trabalhadores da indústria, que subiu 1,6% em relação a outubro, após quatro meses consecutivos de queda. Contudo, no acumulado do ano, o rendimento médio apresenta recuo de 4% em comparação ao mesmo período de 2024.
Paralelamente, a utilização da capacidade instalada na indústria caiu 0,6 ponto percentual, passando de 78,1% para 77,5% em novembro, sinalizando que a indústria está operando com menor intensidade, o que pode afetar a produtividade e a geração de empregos no futuro próximo.
Cenário econômico e perspectivas para o setor
O cenário econômico desfavorável, marcado por juros elevados e demanda interna moderada, tem limitado a recuperação plena da indústria brasileira. O crescimento modesto no faturamento combinado com a queda no emprego e a diminuição da utilização da capacidade instalada indicam que o setor enfrenta desafios para retomar um ritmo consistente de expansão.
A continuidade do patamar elevado da taxa Selic tende a impactar negativamente os investimentos e a demanda, podendo prolongar o ajuste no mercado de trabalho industrial. Além disso, a necessidade de qualificação da mão de obra torna o processo de recuperação do emprego mais lento frente à volatilidade da atividade econômica.
Este cenário exige atenção das políticas econômicas e industriais para estimular a produção, o emprego e a produtividade da indústria brasileira nos próximos meses.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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