Cerrado em Chamas: Especialistas Urgem Ações Integradas para Combater Incêndios no DF

Diante de uma estiagem recorde e um aumento alarmante nos focos de incêndio, o Distrito Federal busca soluções urgentes para proteger o Cerrado. Especialistas, parlamentares e ativistas se reuniram para debater a crise, apontando falhas no plano de mitigação atual e cobrando medidas mais eficazes de prevenção e combate aos incêndios.

“A intensificação da seca agrava os problemas respiratórios e a incidência de incêndios florestais, muitos deles criminosos”, alertou o deputado distrital Max Maciel. Ele enfatizou a necessidade de protocolos claros e ações concretas para mitigar os impactos na fauna e na qualidade do ar, ressaltando que a conservação do Cerrado é uma questão de saúde pública.

Uma das soluções propostas é o manejo integrado do fogo, que inclui queimadas prescritas para evitar o acúmulo de material inflamável, como explica o especialista em governança climática Raphael Sebba. “As queimadas fazem parte do Cerrado e compõem o equilíbrio do bioma. O que não pode ser confundido é esse processo natural com os incêndios provocados pela ação humana, que não são controlados e, sim, um problema que enfrentamos.”

Além disso, Sebba criticou a falta de monitoramento público em tempo real e a ausência de fóruns anuais com a sociedade civil, previstos no plano de prevenção a incêndios florestais desde 2016. Ele destaca a importância da transparência e da participação social para aprimorar o acompanhamento científico e implementar soluções eficazes.

A participação ativa das comunidades locais também se mostra essencial no combate aos incêndios. Integrantes do Movimento Caminhos do Planalto Central, como João Carlos Machado, defendem que o enfrentamento envolva a população local, como os moradores da Serrinha do Paranoá, os movimentos de Planaltina na Pedra Fundamental e a comunidade da Cafuringa.

A organização comunitária, como a dos Guardiões da Cafuringa, oferece cursos, apoia brigadas e articula com órgãos públicos. “Se qualificarmos a comunidade para fazer um reporte detalhado e apropriado ao bombeiro, conseguimos melhorar a eficiência da corporação”, afirmou Fernão Lopes, chefe da brigada.

A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal (Sema-DF) coordena o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF), considerado referência no país. Segundo a coordenadora Carolina Queiroga, o diferencial está no planejamento contínuo e na articulação de diversas instituições.

A Lei 15.143/2025, sancionada em junho pelo presidente Lula, é vista como um avanço, ampliando a capacidade de resposta aos incêndios florestais e agilizando a contratação de brigadistas. “O combate é imprescindível, mas muito mais eficiente e barato é o trabalho preventivo e a gente não consegue fazer esse trabalho preventivo sem mão de obra”, ressaltou Erisson Vieira Casimiro, diretor de Manejo Integrado do Fogo do Ibram.

O Parque Nacional de Brasília tem sido palco de treinamentos e ações educativas, incluindo queimadas preventivas e incentivo ao voluntariado. “É uma forma de trazer a comunidade junto da gente, tanto para atuar quanto para denunciar, garantindo respostas mais rápidas”, destacou Larissa Diehl, chefe da unidade.

O Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) mantém há 30 anos a Operação Verde Vivo, mobilizando até 80% do efetivo em momentos críticos. O tenente-coronel Ronaldo Lima de Medeiros enfatiza a importância da prevenção e da ampliação das ações de monitoramento e formação em comunidades rurais.

A valorização dos brigadistas, tanto voluntários quanto vinculados a órgãos públicos, é fundamental, com projetos de lei em tramitação para regulamentar a profissão. A urgência dessa valorização foi reforçada após a lembrança da trágica morte dos brigadistas Manuel José de Souza Neto e Valmir de Souza e Silva, em 2025.

Por fim, a dificuldade em punir os crimes ambientais é um desafio, com poucos desdobramentos concretos em inquéritos sobre queimadas criminosas. “É difícil chegar à autoria dos crimes, mas há casos sendo investigados”, afirmou Hudson Coimbra Felix (ICMBio), evidenciando a necessidade de um esforço conjunto para proteger o Cerrado.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br

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