Cinco fundos acionaram regra de sigilo em meio a apurações da Operação Carbono Oculto e venda do Banco Master

Fundos da Reag acionaram sigilo em carteiras durante investigações da Polícia Federal ligadas ao Banco Master e ao PCC.
Ao menos cinco fundos administrados pela Reag acionaram o sigilo temporário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para esconder a composição de suas carteiras de investimentos durante o avanço das investigações da Polícia Federal (PF) relacionadas à Operação Carbono Oculto.
Fundos da Reag e o sigilo nas carteiras
Os fundos Olaf 95, Hans 95, Maia 95, Astralo 95 e Reag Growth 95, todos geridos pela Reag — que foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026 — ativaram a regra que permite a omissão dos detalhes dos ativos por até seis meses. O período em que esses fundos adotaram o sigilo coincide com a intensificação das diligências da PF que apura fraudes, lavagem de dinheiro e uso de fundos para ocultação de recursos ilícitos no setor de combustíveis, em esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Relação com o Banco Master
Além da Operação Carbono Oculto, fundos da Reag estão sob investigação para apurar se foram usados para inflar ou mascarar riscos financeiros no Banco Master, que esteve envolvido em uma tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB), rejeitada pelo Banco Central. Em 2025, os fundos da Reag chegaram a manter cerca de R$ 651 milhões aplicados em CDBs e RDBs emitidos pelo Banco Master, reduzindo essa exposição nos meses seguintes ao longo do ano.
O fundo Astralo 95, por exemplo, mantinha aproximadamente R$ 140 milhões em crédito privado e cerca de R$ 520 milhões em ações, valores que representam estoques mantidos e não novas aplicações mensais.
Bloqueio de bens de ex-sócio do Banco Master
Em abril de 2025, a Justiça de São Paulo bloqueou bens no valor de R$ 112 milhões pertencentes a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. O bloqueio ocorreu em meio a uma ação de execução de dívida movida pela família ex-proprietária do Banco Voiter, que solicitou o bloqueio de bens no valor de R$ 470,5 milhões, equivalentes à dívida original.
Contexto das investigações
As apurações da PF envolvem suspeitas de uso de fundos e empresas para lavar dinheiro e ocultar recursos ilícitos no setor de combustíveis, além de investigar possíveis irregularidades no Banco Master. A atuação da Reag como administradora desses fundos coloca a instituição no centro das investigações, especialmente diante da liquidação decretada pelo Banco Central.
A operação Compliance Zero, que também mira o Banco Master e o Banco de Brasília, reforça a complexidade e a amplitude das investigações que envolvem o sistema financeiro e esquemas criminosos ligados ao PCC.
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Fonte: www.metropoles.com
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