Negociação do preço do tabaco termina sem acordo na primeira rodada

Produtores e compradores divergem enquanto setor enfrenta ociosidade próxima a 50%

Negociação do preço do tabaco termina sem acordo na primeira rodada
Expectativa é de que uma nova rodada de negociações para o preço do tabaco deva ocorrer no início de fevereiro — Foto: Guga de Andrade/Afubra

A primeira rodada da negociação do preço do tabaco no Brasil encerrou sem acordo, refletindo desafios do setor como ociosidade e queda na demanda.

A negociação do preço do tabaco no Brasil terminou sem acordo na sua primeira rodada, evidenciando as dificuldades que o setor enfrenta atualmente. Produtores e compradores não conseguiram fechar um consenso, diante de um cenário marcado por ociosidade e menor demanda.

Ociosidade e capacidade instalada

A capacidade instalada do setor está com ociosidade próxima a 50%, um índice que reflete a redução da produção e da atividade no segmento do tabaco. Essa ociosidade compromete a eficiência operacional das empresas e impacta na dinâmica de negociação dos preços.

Queda na demanda e preços

A demanda mais fraca e as perspectivas de maior oferta contribuíram para a queda dos preços da amêndoa na bolsa, influenciando diretamente a negociação. Investidores monitoram atentamente os números relacionados à procura pelo grão, tanto no mercado americano quanto na produção brasileira.

Propostas frustram produtores

As propostas apresentadas na rodada inicial frustraram os representantes dos produtores de tabaco. A Associação Brasileira dos Produtores de Tabaco (Abrapa) estima uma diminuição de 5,5% na área plantada para esta temporada, uma resposta direta às condições do mercado e às expectativas econômicas.

Perspectivas para novas negociações

Diante do impasse, a expectativa é de que uma nova rodada de negociações ocorra no início de fevereiro, em busca de um consenso que possa atender melhor os interesses de ambas as partes. O mercado segue atento ao desenvolvimento dessas negociações e aos dados que possam influenciar a oferta e a demanda.

Contexto climático e mercado

A estação mais quente do ano, que se estende até 20 de março de 2026 segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, também traz desafios para o cultivo do tabaco. Além disso, investimentos e restrições recentes, como a restrição vigente desde 2024 por conta do caso da doença de Newcastle em granja comercial, criam um ambiente de cautela.

O mercado acompanha as posições dos fundos de investimento e as projeções de entidades como o Cecafé, que prevê uma recuperação nos embarques de café para mais de 40 milhões de sacas em relação a 2025, cenário que pode influenciar mercados correlacionados.

A negociação do preço do tabaco, portanto, reflete um conjunto complexo de fatores econômicos, climáticos e estruturais que desafiam o setor a buscar soluções para garantir sua sustentabilidade e competitividade no cenário nacional e internacional.

Fonte: globorural.globo.com

Fonte: Guga de Andrade/Afubra