Coren-DF busca acesso a investigações sobre mortes na UTI do Hospital Anchieta

Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal solicita dados do inquérito que apura suspeita de injeções letais em pacientes

Coren-DF busca acesso a investigações sobre mortes na UTI do Hospital Anchieta
Injeção letal: técnico diz que agiu por nervosismo em plantões no hospital

Coren-DF solicita acesso ao inquérito do Hospital Anchieta que investiga suspeita de mortes por injeção letal em pacientes da UTI.

O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) formalizou um pedido ao Hospital Anchieta, em Taguatinga, solicitando acesso aos detalhes das investigações que apuram a morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição. O caso envolve suspeitas de que técnicos de enfermagem teriam aplicado injeções letais nos pacientes entre novembro e dezembro de 2025.

Apuração e sigilo da investigação

Segundo o procurador-geral do Coren-DF, Jhonatan Rodrigues, o Conselho busca reunir indícios mínimos para iniciar um processo ético contra os profissionais de saúde envolvidos, com possibilidade de suspensão cautelar caso as suspeitas se confirmem. No entanto, o Hospital Anchieta negou o fornecimento das informações alegando que “o caso tramita em segredo de Justiça”. O presidente do Coren-DF, Elissandro Noronha, afirmou que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa.

Investigação policial e suspeitos

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as mortes de João Clemente Pereira (63 anos), Miranilde Pereira da Silva (75 anos) e Marcos Moreira (33 anos), vítimas que ocupavam a UTI do Hospital Anchieta. Três técnicos de enfermagem foram presos temporariamente e são investigados por homicídio qualificado: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva.

Marcos Vinícius é apontado como o responsável por administrar doses letais, incluindo uma tentativa frustrada com desinfetante injetado em uma paciente idosa. Amanda e Marcela são investigadas por negligência e possível coautoria, tendo funcionado como vigilantes durante as ações para impedir a entrada de outros funcionários.

Cronologia e investigações internas

Após a constatação de pioras súbitas em pacientes da UTI, o Hospital Anchieta iniciou uma investigação interna que durou menos de 20 dias, culminando na instauração de um inquérito policial. A Polícia Civil deflagrou a Operação Anúbis em duas fases, cumprindo mandados de prisão e apreensão em diversas localidades do Distrito Federal e região.

Próximos passos e posicionamento do Coren-DF

O Coren-DF marcou para esta quarta-feira (21) uma reunião com o delegado responsável pelas investigações para solicitar formalmente o acesso aos dados completos, incluindo o inquérito policial. O Conselho reafirma seu compromisso com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, destacando a importância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.

Perfil das vítimas

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, foi professora da rede pública do Distrito Federal, deixando legado reconhecido pelo Sindicato dos Professores do DF.
  • João Clemente Pereira, 63 anos, servidor público da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).
  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, carteiro e funcionário dos Correios em Brazlândia.

O caso segue em apuração para identificar possíveis outras vítimas e esclarecer completamente os fatos, com o acompanhamento dos órgãos competentes e a expectativa de responsabilização judicial e ética dos envolvidos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br