Enamed pode virar exame de proficiência para médicos no Brasil

Proposta do governo federal visa condicionar registro profissional ao desempenho no Enamed

Enamed pode virar exame de proficiência para médicos no Brasil
Foto: National Cancer Institute/Unsplash

Governo propõe que o Enamed também avalie a proficiência dos médicos recém-formados para permitir seu registro profissional.

O governo federal anunciou uma proposta para que o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) seja adotado também como exame de proficiência para médicos recém-formados no Brasil. A ideia central é condicionar o registro profissional dos médicos ao desempenho neste exame, garantindo que apenas aqueles aptos possam exercer a medicina.

O que é o Enamed e a proposta do governo

O Enamed é atualmente uma avaliação aplicada pelo Ministério da Educação (MEC) que ocorre no segundo, quarto e sexto ano dos cursos de medicina, com o objetivo de medir o progresso dos estudantes ao longo da formação. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo pretende incorporar essa avaliação como prova de proficiência para garantir maior controle e qualidade na formação médica, destacando que essa mudança depende de alteração legislativa e só entraria em vigor para edições futuras, não afetando o exame de 2025.

Repercussões e debates sobre o exame

O Conselho Federal de Medicina (CFM) já manifestou interesse em usar o Enamed como critério para registro profissional, considerando o resultado da edição de 2025 como indicativo de “problema estrutural gravíssimo” na formação médica, especialmente em instituições privadas e municipais, onde cerca de um terço dos cursos tiveram desempenho insuficiente.

Entretanto, a Associação Brasileira de Médicos Pós-Graduados (Abramepo) posicionou-se contrariamente, classificando a utilização do Enamed como prova definitiva para registro como “usurpação de funções” e “oportunismo midiático”. A entidade alerta contra um possível “segundo filtro” acadêmico que ultrapassaria as funções éticas do CFM, argumentando que a vigilância estatal deve ser mais rígida para assegurar a qualidade da formação médica.

Medidas complementares para aprimorar a formação médica

Além da proposta envolvendo o Enamed, o governo tem adotado outras iniciativas para elevar os padrões da educação médica no país. Entre elas estão a aprovação de novas diretrizes curriculares nacionais para os cursos de medicina e a criação do Exame Nacional de Residência (Enare), que unifica a seleção para vagas de residência médica em todo o Brasil e, a partir deste ano, passa a aceitar a nota do Enamed como critério de ingresso.

Implicações para instituições de ensino

O ministro Alexandre Padilha ressaltou que as instituições com desempenho insatisfatório no Enamed poderão enfrentar restrições, como a proibição de abertura de novos vestibulares, ampliação de vagas ou até mesmo o fechamento, caso não promovam melhorias. Essa medida visa mitigar os problemas apontados no ensino médico e assegurar maior qualidade na formação dos futuros profissionais.

Desempenho dos estudantes no Enamed

Embora parte das instituições tenha apresentado resultados abaixo do esperado, a maioria dos estudantes obteve desempenho positivo, segundo o ministro. O exame, portanto, serve como um instrumento de diagnóstico para identificar pontos fortes e fragilidades na formação médica, subsidiando políticas públicas e ações educacionais.

Considerações finais

A proposta do governo para tornar o Enamed um exame de proficiência representa uma mudança significativa na regulação da profissão médica no Brasil, buscando fortalecer a qualidade do ensino e garantir que os médicos estejam devidamente preparados para o exercício da medicina. O debate em torno do tema mobiliza diferentes entidades e aponta para a necessidade de um equilíbrio entre controle de qualidade e respeito às atribuições das instituições envolvidas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: National Cancer Institute/Unsplash