Investigações da Polícia Federal e decisões do BC impactam conglomerado financeiro ligado ao empresário Daniel Vorcaro

Em dois meses, o caso Master fez o Banco Central liquidar sete instituições financeiras ligadas ao conglomerado de Daniel Vorcaro, sob investigação da Polícia Federal.
O caso Master Banco Central desencadeou, em apenas dois meses, a liquidação extrajudicial de sete instituições financeiras ligadas ao conglomerado controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. As intervenções começaram em novembro de 2025, quando o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Banco Master e suas afiliadas, estendendo-se até janeiro de 2026 com a liquidação do Will Bank.
Contexto das liquidações
Em 18 de novembro de 2025, o BC determinou a liquidação extrajudicial das seguintes instituições do grupo Master: Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S.A., Banco Letsbank S.A., Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e Banco Master Múltiplo S.A. Posteriormente, em 15 de janeiro de 2026, a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., anteriormente conhecida como Reag Trust, também foi liquidada. Por fim, o Will Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento, popularmente chamado Will Bank, teve sua liquidação decretada pelo BC.
Investigações da Polícia Federal e o inquérito no STF
O caso é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli, com investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). A Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, cumpriu mandados de busca e apreensão, incluindo o empresário Maurício Quadrado, ex-sócio do Master e antigo comandante do Letsbank.
Fundos da corretora Reag, ligada ao conglomerado Master, estão sob suspeita por possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A corretora, fundada por João Carlos Mansur, também investigado na operação, teve seu patrimônio sob gestão multiplicado significativamente, de R$ 25 bilhões em 2020 para R$ 341 bilhões em 2025, o que levanta suspeitas sobre a utilização da instituição para ocultar riscos e inflar valores, além de tentativas de venda vetadas pelo BC.
Impactos no Fundo Garantidor de Créditos
A liquidação do Will Bank elevou a pressão sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já está em processo para desembolsar R$ 40,6 bilhões referentes ao Banco Master. Com a ampliação do escopo, o rombo estimado pode se aproximar de R$ 50 bilhões.
Dados do IFData, sistema do BC que consolida informações das instituições financeiras, indicam que a Will Financeira possuía R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo em setembro de 2025, valor que foi reduzido para R$ 6,3 bilhões segundo o FGC. Esses depósitos consistem principalmente em Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
O FGC esclareceu que clientes que adquiriram produtos antes da aquisição pelo Banco Master em 30 de agosto de 2024 mantêm a garantia preservada. Para produtos adquiridos a partir de 1º de setembro de 2024, os valores são consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil. Caso o limite já tenha sido atingido em liquidações anteriores do conglomerado, não haverá pagamentos adicionais.
Reações e desdobramentos
A sequência de liquidações e investigações revela o impacto profundo do caso Master no sistema financeiro nacional, destacando a importância do trabalho coordenado entre o Banco Central e a Polícia Federal para a proteção do mercado e dos investidores.
O caso também evidência os riscos associados a conglomerados financeiros que operam com complexas estruturas societárias e fundos de investimento, reforçando a necessidade de maior transparência e fiscalização rigorosa.
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Foto: m colorida de sede do Banco Master
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: m colorida de sede do Banco Master





