Trump busca posse da Groenlândia apesar de acordo militar dos EUA com Dinamarca

A insistência do presidente americano revive tensões históricas e estratégicas sobre a ilha ártica

Trump busca posse da Groenlândia apesar de acordo militar dos EUA com Dinamarca
Base militar americana na Groenlândia. Foto: Jonathan Nackstrand/AFP

Trump busca posse da Groenlândia, alvo de um acordo de 1951 que garante aos EUA ampla liberdade militar na ilha ártica.

A insistência de Donald Trump em adquirir a Groenlândia, apesar de um acordo militar vigente desde 1951 entre os Estados Unidos e a Dinamarca, reacende antigas tensões e destaca a importância estratégica da ilha ártica para a segurança norte-americana.

História militar da Groenlândia

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Groenlândia, então colônia dinamarquesa, foi alvo de ocupação nazista em pequenas estações meteorológicas até a captura dos últimos nazistas em 1944 por soldados americanos. A partir daí, os EUA entenderam o valor da ilha, cuja localização serve como um ponto-chave para monitoramento e defesa, especialmente durante a Guerra Fria. Bases aéreas, estações de radar e complexos militares foram instalados, com a maior presença concentrada na base de Thule, hoje chamada Pituffik, que mantém relevância na defesa americana.

O acordo de 1951 entre EUA e Dinamarca

O pacto firmado em 1951, no contexto da Otan, concedeu ampla liberdade militar aos Estados Unidos para construir, operar e manter instalações na Groenlândia, sem ceder a soberania da Dinamarca sobre a ilha. O acordo não tem data de validade e estabeleceu áreas específicas para atuação militar, permitindo aos EUA manter bases estratégicas diante da ameaça soviética. A Dinamarca confiou na manutenção de sua soberania, enquanto os EUA garantiam uma presença prolongada e crucial para sua defesa nacional.

A retomada do interesse americano sob Trump

Após o colapso da União Soviética, a presença militar americana foi reduzida, consolidando-se em poucas bases, como Pituffik. Contudo, o presidente Donald Trump enxerga a Groenlândia como uma peça fundamental na nova dinâmica geopolítica do Ártico, marcada pela competição com Rússia e China por recursos naturais e rotas marítimas. Trump também vincula a importância da ilha ao projeto do sistema de defesa antimísseis Domo de Ouro, pretendendo fortalecer a segurança dos EUA na região.

Reações e desafios diplomáticos

Líderes europeus e especialistas tentam persuadir Trump a desistir da ideia de compra da Groenlândia, considerando os impactos diplomáticos e respeitando a soberania dinamarquesa. A proposta de aquisição, mencionada em um “acordo preliminar” pelo presidente, permanece envolta em mistério quanto a seus detalhes. Históricas negociações anteriores, como as tratativas discretas no pós-Segunda Guerra, indicam a complexidade de um possível acordo dessa natureza.

Importância geopolítica atual da Groenlândia

A Groenlândia permanece vital para o equilíbrio estratégico no Ártico devido à sua localização entre os Estados Unidos, Europa e Rússia. O derretimento das geleiras abriu novas rotas marítimas e oportunidades para exploração de recursos, aumentando o interesse global pela região. A presença militar americana, mesmo reduzida, sustenta o controle e vigilância de uma área que ganha importância para a segurança nacional norte-americana e para a política internacional no século XXI.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Jonathan Nackstrand/AFP