OMS destaca necessidade urgente de apoio internacional para combate a doenças nas zonas afetadas

OMS alerta para agravamento da saúde em Moçambique após cheias, com risco elevado de doenças diarreicas, malária e infecções respiratórias.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nesta sexta-feira (23) sobre o risco crescente de doenças em Moçambique devido às cheias que atingem o país desde o início de janeiro de 2026. A previsão é de que a situação de saúde das pessoas afetadas se agrave nos próximos dias, especialmente com o aumento de doenças diarreicas, malária e infecções respiratórias agudas.
Impactos das cheias na saúde pública
Segundo Sinésia Sitão, chefe do programa de emergência da OMS em Moçambique, as inundações têm provocado deslocamento em massa da população, concentrando pessoas em locais com condições sanitárias e hídricas precárias. Essas circunstâncias favorecem o surgimento e agravamento de doenças, especialmente em áreas como a província de Gaza, uma das mais castigadas pelas cheias.
A OMS ressalta a necessidade urgente de apoio internacional para fornecer recursos logísticos e medicamentos que permitam às equipes de saúde acessarem as regiões afetadas e salvarem vidas. A continuidade dos serviços de saúde é considerada prioridade para evitar o colapso no atendimento e controlar a disseminação de doença.
Condições que favorecem o aumento das enfermidades
O Instituto Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (Ingd) divulgou dados preocupantes: mais de 642 mil pessoas foram afetadas, com 12 mortes confirmadas e centenas de feridos. Além disso, 242 unidades de saúde sofreram algum tipo de dano, dificultando o atendimento médico. Cerca de 96 mil pessoas estão desalojadas em 91 centros de acolhimento.
O cenário sanitário é agravado pela presença de milhares de famílias em áreas alagadas, com casas destruídas ou inundadas, que vivem sem acesso adequado à água potável e condições básicas de higiene. Essa situação é propícia para o desenvolvimento de doenças transmissíveis e para o aumento da mortalidade.
Desafios na resposta humanitária
Paulo Tomás, porta-voz do Ingd, enfatiza a urgência no resgate de aproximadamente 4 mil pessoas que permanecem isoladas em distritos como Magude, Manhiça, Chókwé e Guijá. Muitos desses indivíduos enfrentam falta de alimentos, água potável e condições mínimas de sobrevivência, aumentando o risco de desnutrição e doenças.
Além das questões físicas, a OMS destaca a importância de cuidar da saúde mental da população afetada e dos profissionais de saúde, que também são impactados pelo contexto de emergência. Serviços de apoio psicossocial são essenciais para ajudar as pessoas a lidar com o trauma e a pressão do desastre.
Coordenação e perspectivas
Desde antes das cheias, a OMS Moçambique atuava na preparação do plano de contingência para desastres naturais. Agora, a organização reforça o chamado para a comunidade internacional colaborar com recursos técnicos e financeiros que ampliem a capacidade de resposta e ajudem a mitigar os efeitos da tragédia.
O monitoramento contínuo do aparecimento de doenças e a garantia da infraestrutura mínima para atendimento médico são medidas fundamentais para conter o avanço dos impactos sanitários da enchente em Moçambique.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
Fonte: S OF THE DAY





