Ludmilla recusa entrevista ao SBT por defender apresentador acusado de racismo

Cantora evita contato com emissora após episódio envolvendo Marcão do Povo e acusações públicas

Ludmilla recusou entrevista ao SBT por considerar que emissora defende apresentador acusado de racismo, Marcão do Povo.

A cantora Ludmilla recusou conceder entrevista a uma jornalista do SBT durante os bastidores da gravação do DVD da artista Raphaela Santos, na quinta-feira (22.jan.2026). O motivo exposto pela cantora foi a permanência do apresentador Marcão do Povo no quadro da emissora, figura central em um caso de racismo envolvendo a artista.

Contexto do conflito entre Ludmilla e Marcão do Povo

Em 2017, Marcão do Povo, enquanto apresentava o programa Balanço Geral na Record, proferiu a palavra “macaca” para se referir a Ludmilla durante uma transmissão ao vivo. O episódio causou ampla repercussão e levou a artista a processar judicialmente o apresentador por racismo, resultando em sua demissão da emissora na ocasião.

No entanto, Marcão do Povo retornou ao rádio e televisão, agora no SBT, o que motivou a cantora a se posicionar contra a emissora, alegando que ela “defende racista” e, por isso, recusou-se a conceder entrevista.

Repercussões recentes e batalhas judiciais

O impasse ganhou novos episódios entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, quando Marcão entrou com uma ação contra Ludmilla após a cantora publicar um vídeo afirmando que ele não teria sido inocentado no processo de racismo. O apresentador alegou ter sido absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2024, além de registrar uma notícia-crime contra a artista por difamação.

Ludmilla, por sua vez, contestou afirmando que a decisão mencionada por Marcão foi uma manobra processual, e que o ato racista foi reconhecido nas instâncias inferiores. Para ela, a continuidade do apresentador no SBT expõe uma contradição na postura da emissora quanto ao combate ao racismo.

Reação nas redes sociais e debate público

A postura de Ludmilla recebeu amplo apoio nas redes sociais, onde internautas elogiaram sua educação e profissionalismo ao lidar com a situação e reforçaram a crítica ao posicionamento do SBT.

Em dezembro, a cantora publicou em seu perfil oficial no X: “Só no Brasil uma pessoa que chamou a outra de macaca em rede nacional pensa em abrir um inquérito criminal contra a vítima”, destacando o paradoxo enfrentado por ela.

Implicações para o combate ao racismo na mídia

Este episódio evidencia as complexidades do enfrentamento ao racismo no ambiente midiático brasileiro, especialmente quando figuras públicas envolvidas seguem ativas em grandes emissoras. A decisão de Ludmilla em não conceder entrevista ao SBT coloca em evidência a expectativa de que os veículos de comunicação adotem ações mais contundentes contra comportamentos racistas, refletindo um debate maior sobre responsabilidade social e ética jornalística.

O caso também demonstra como o diálogo entre vítimas de racismo e meios de comunicação pode ser impactado por posicionamentos das próprias emissoras, afetando a cobertura e a percepção pública sobre essas questões.