Projeto de lei proíbe uso de IA para substituir professores na educação

Deputado Reginaldo Veras propõe que IA auxilie, mas não substitua docentes em salas de aula

Projeto de lei proíbe uso de IA para substituir professores, mantendo o papel humano na educação básica e superior.

O projeto de lei 3.003/2025, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, estabelece que o uso da inteligência artificial (IA) não poderá substituir professores nas atividades escolares da educação básica e superior. A proposta, apresentada pelo deputado Reginaldo Veras (PV-DF), ressalta que a IA deve funcionar apenas como um instrumento de apoio ao trabalho docente, mantendo o ensino como uma atividade exclusiva de profissionais humanos.

Contexto da proposta

O deputado Reginaldo Veras enfatiza que o papel do professor vai muito além da simples transmissão de conteúdo. Segundo ele, o docente inspira, questiona, orienta e oferece suporte fundamental para o amadurecimento dos estudantes. Com isso, o projeto visa preservar a função humana na mediação do processo educacional, considerando que a tecnologia ainda não é capaz de desenvolver a dimensão afetiva e pedagógica necessária no ensino.

Detalhes do uso permitido da inteligência artificial

Conforme o texto do projeto, a IA poderá ser empregada para atividades como apoio em pesquisas, correções automáticas de avaliações e personalização do ensino, mas não deve assumir tarefas ligadas ao planejamento das aulas, avaliação subjetiva dos alunos nem à orientação pedagógica, que devem ser realizadas por professores formados.

Tramitação e posicionamentos

Em dezembro, a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou a proposta, cujo relator foi o deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF). Ribeiro manifestou parecer favorável, destacando que a função do professor transcende o conhecimento técnico, envolvendo mediação social e pedagógica que a tecnologia não consegue replicar.

Atualmente, o projeto aguarda designação de relator na Comissão de Educação e será posteriormente analisado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. A tramitação ocorre em caráter conclusivo, o que pode dispensar votação no Plenário caso haja consenso entre as comissões.

Impactos e debates

A discussão sobre o papel da inteligência artificial na educação é crescente, especialmente diante dos avanços tecnológicos que oferecem novas ferramentas para o ensino. No entanto, o projeto de lei reflete a preocupação em preservar a centralidade do professor no processo educacional, reconhecendo sua importância não apenas no aspecto técnico, mas também no apoio emocional e desenvolvimento integral dos estudantes.

Esse movimento reforça o entendimento de que a tecnologia deve ser um complemento, não um substituto, para a prática docente, garantindo qualidade e humanidade na educação em diferentes níveis.

Projeto tramita desde junho de 2025.