Maggie O'Farrell compartilha detalhes inéditos sobre a criação do roteiro e imersão histórica

Roteirista de Hamnet, Maggie O'Farrell, detalha pesquisa minuciosa para adaptar romance ao cinema, incluindo aprendizado para fazer falcão voar.
Hamnet, filme indicado a oito categorias no 98º Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, tem sua origem no romance homônimo da escritora Maggie O’Farrell, lançado em 2020. A obra retrata a história fictícia do filho de 11 anos de William Shakespeare, que faleceu em 1596, e aborda profundamente o processo de luto dos pais.
A trajetória da roteirista de Hamnet
Maggie O’Farrell, que também escreveu o roteiro da adaptação cinematográfica, descreve a experiência de concorrer ao Oscar ao lado de Chloe Zhao, indicadíssima para Melhor Direção pelo mesmo filme, como “surreal”. Para ela, o livro “parece um filho”, e o filme representa um “esforço verdadeiramente colaborativo” entre todos os envolvidos.
Nascida na Irlanda do Norte e tendo vivido no País de Gales e Escócia, O’Farrell relembra sua infância marcada por frequentes visitas à Irlanda, elemento fundamental para sua identidade e que influenciou o tom inglês da obra.
Pesquisa intensa e imersão histórica
Sobre a pesquisa para escrever o roteiro, a autora revelou que estudou amplamente Shakespeare, dada a imensa quantidade de livros sobre ele disponíveis. No entanto, destacou que pouco se sabe sobre sua vida pessoal e familiar, que permanece como notas de rodapé históricas.
Para retratar com veracidade as personagens femininas e suas atividades cotidianas, Maggie adotou um método prático: ela aprendeu a fazer um falcão voar, uma experiência que considerou “a mais divertida que já fez em nome do trabalho”. Além disso, preparou pães seguindo receitas da era Tudor, cultivou seu próprio jardim medicinal e participou de um curso para aprender a transformar plantas em remédios, buscando autenticar cada detalhe da narrativa.
Elementos sobrenaturais e personagens no filme
No filme, há rumores sobre a personagem Agnes, interpretada por Jessie Buckey, ser filha de uma bruxa da floresta. Essa figura passa tempo com seu falcão de estimação e colhe ervas para preparar remédios, evidenciando uma habilidade quase sobrenatural de pressentir o futuro. Esses elementos enriquecem a trama ao mesclar realidade e misticismo, ampliando a dimensão da história.
O desafio de dar vida a uma história quase esquecida
A adaptação de Hamnet para o cinema exigiu que a roteirista navegasse entre o que é conhecido e o que permanece obscuro na história de Shakespeare e sua família. A escassez de registros históricos precisou ser compensada pela criatividade aliada à pesquisa detalhada, resultando em uma obra sensível que explora o luto, o amor e a memória.
A dedicação de Maggie O’Farrell à autenticidade e à profundidade histórica reflete-se no cuidado com que cada cena foi construída, possibilitando ao público uma imersão completa no universo do século XVI. Essa abordagem reforça a importância do trabalho colaborativo para a criação de um filme que respeita e ressignifica o legado de Shakespeare e sua família.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Focus Features





