Tarifas e retórica presidencial provocam tensão na relação bilateral entre EUA e Canadá

A política de Trump com Canadá, marcada por ameaças de tarifas e declarações controversas, tem afastado o aliado histórico, segundo especialistas.
A política de Trump com Canadá tem causado um afastamento significativo entre os tradicionais aliados, em meio a uma série de ações que tensionam a relação bilateral. A ameaça do então presidente dos Estados Unidos de impor tarifas de 100% sobre todas as importações canadenses, caso o país formalizasse acordos comerciais com a China, marcou um ponto crítico nessa dinâmica.
Tarifas e retórica presidencial que desgastam a relação
Segundo o professor Vitélio Brustolin, especialista em Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense e pesquisador de Harvard, a estratégia de Trump, que já havia aplicado tarifas contra a União Europeia e México em seu primeiro mandato, acabou por gerar efeitos contrários. Brustolin destaca que o presidente americano buscava uma aproximação unilateral, tratando o Canadá quase como um estado americano, o que gerou desconforto diplomático.
Com declarações que chamavam o Canadá de “51º estado” e o primeiro-ministro Mark Carney de “governador”, a retórica presidencial provocou uma reação negativa dentro do Canadá. “Imagina o que é para um chefe de governo ser chamado de governador pelo presidente do país vizinho”, comenta o professor.
Reações canadenses e impacto político interno
Em resposta à postura dos EUA, a população canadense intensificou o boicote a produtos americanos, contrariando as intenções de Trump. Além disso, o primeiro-ministro canadense Mark Carney aproveitou o momento para fortalecer sua posição política, ampliando o apoio ao seu governo e ao Partido Liberal, que enfrentava dificuldades eleitorais.
Essa reação interna reforçou o afastamento e levou o Canadá a buscar novos parceiros estratégicos, estreitando laços com a China e a União Europeia – esta última vista por Trump como uma organização criada para prejudicar os Estados Unidos.
Consequências para a diplomacia norte-americana
A abordagem presidencial agressiva e unilateral adotada por Trump tem sido vista como um exemplo de diplomacia que fragiliza alianças tradicionais. Brustolin observa que as ações de Carney e do governo canadense são respostas naturais a um contexto de “bullying” por parte do país vizinho. “Qualquer chefe de Estado, na situação dele, faria o mesmo”, conclui.
As tensões entre EUA e Canadá ilustram como estratégias de política externa baseadas em pressão econômica e retórica podem resultar em efeitos opostos aos desejados, desestabilizando relações históricas de cooperação e abrindo espaço para realinhamentos geopolíticos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





