Decisão da 79ª Vara do Trabalho reconhece negligência e converte pedido de demissão em rescisão indireta

Rede de lojas em São Paulo foi condenada a pagar R$ 30 mil por danos morais após não socorrer funcionária que sofreu aborto nas dependências da empresa.
Uma rede de lojas de vestuário em São Paulo foi condenada pela 79ª Vara do Trabalho a pagar uma indenização de R$ 30 mil por danos morais após uma ex-vendedora sofrer um aborto nas dependências da empresa sem receber socorro adequado. Essa decisão judicial evidencia a negligência da empresa diante de uma situação grave que envolvia a saúde e a segurança de uma funcionária grávida.
Condições de trabalho incompatíveis com gravidez
A trabalhadora relatou que, mesmo estando grávida, foi mantida em um setor da loja que exigia esforço físico incompatível com seu estado de saúde. No dia em que sofreu o aborto, ela apresentou sangramento e fortes dores, comunicando imediatamente o seu mal-estar à chefia. No entanto, não recebeu nenhum tipo de apoio ou auxílio para buscar atendimento médico emergencial, fato que agravou a situação.
Reconhecimento da negligência pela Justiça
Testemunhas ouvidas no processo confirmaram que os supervisores tinham conhecimento da gravidez da funcionária e do quadro de sangramento. A magistrada responsável pelo caso considerou que a empresa agiu com negligência, pois não tomou nenhuma providência para ajudar a empregada durante o episódio de hemorragia que resultou na perda do feto.
Pedido de demissão convertido em rescisão indireta
Além da indenização por danos morais, a Justiça do Trabalho converteu o pedido de demissão da funcionária em rescisão indireta. Essa decisão reconhece que a vontade da trabalhadora de abandonar o emprego foi resultado do ambiente hostil e da falta de socorro, tornando impossível a continuidade do vínculo empregatício. Com isso, a empresa foi condenada a pagar todas as verbas rescisórias correspondentes, incluindo aviso prévio indenizado, 13º salário proporcional, férias proporcionais, multa de 40% sobre o FGTS e entrega das guias para habilitação no seguro-desemprego.
Implicações para o ambiente de trabalho
Essa sentença reforça a obrigação das empresas em oferecer condições seguras e dignas para suas funcionárias, especialmente quando envolvem situações de vulnerabilidade como a gravidez. A decisão busca desencorajar práticas que desrespeitem a integridade física e psicológica dos trabalhadores, ressaltando que a dignidade humana e os valores sociais do trabalho devem ser preservados em todas as circunstâncias.
Impacto social e jurídico
Além do aspecto financeiro da condenação, o caso serve como alerta para empregadores e trabalhadores sobre a importância do cumprimento das normas trabalhistas e do cuidado com a saúde no ambiente profissional. A Justiça do Trabalho mostra sua atuação como instrumento de proteção aos direitos dos empregados, garantindo reparação e responsabilização em casos de desrespeito e negligência.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: A 79ª Vara do Trabalho de São Paulo condenou uma rede de lojas de vestuário ao pagamento de uma indenização de R$ 30 mil por danos morais, no início de Dezembro





