ONG indica quase o dobro de mortos nas manifestações no Irã

Hrana reporta mais de 5.800 mortes e milhares de prisões em protestos contra o regime iraniano

Organização de direitos humanos contabiliza 5.848 mortes em protestos no Irã, quase o dobro do número admitido pelo governo.

A ONG de direitos humanos Hrana, com sede nos Estados Unidos, divulgou que o número de mortos nas manifestações contra o regime iraniano atingiu ao menos 5.848, quase o dobro dos 3.000 óbitos reconhecidos oficialmente pelo governo do Irã. Entre os mortos, 5.520 seriam manifestantes.

Conflito e repressão no Irã

As manifestações começaram em 28 de dezembro, espalhando-se por todas as províncias e configurando a maior ameaça ao regime teocrático desde sua fundação em 1979. O governo reagiu com uma repressão violenta, que já contabiliza milhares de vítimas fatais, prisões e um severo bloqueio à comunicação externa, dificultando a verificação independente dos fatos.

Dificuldades na checagem e repressão a profissionais de saúde

O regime imposto bloqueios de internet que impedem a livre circulação de informações, o que torna as contagens exatas um desafio. Além disso, há relatos de agentes de segurança pressionando profissionais de saúde dentro dos hospitais, inclusive nas unidades de terapia intensiva, com ameaças de prisão a médicos e paramédicos que prestaram atendimento a manifestantes feridos. Muitos desses profissionais teriam sido detidos por sua atuação.

Prisões massivas e medidas do regime

Segundo o balanço da Hrana, até o momento, cerca de 41.283 pessoas foram presas em decorrência dos protestos. Em pronunciamentos recentes, a polícia anunciou que manifestantes considerados “enganados” poderiam se entregar para receber punições mais brandas. Porém, o líder supremo Ali Khamenei reforçou a linha dura, afirmando que as autoridades devem “quebrar a espinha dorsal dos sediciosos”.

Impactos e contexto político

A repressão ocorre em meio a um cenário de crise política e social, com a responsabilização explícita do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump pelas mortes durante os protestos, segundo declarações das autoridades iranianas. O episódio revela a tensão entre o governo teocrático e a sociedade civil, que vem se manifestando de forma ampla e persistente.

A situação no Irã permanece crítica, com milhares de vítimas, repressão intensa e censura à informação, configurando um dos episódios mais graves de contestação ao regime desde sua instalação.