Governo dos EUA condiciona recuo em Minneapolis à colaboração dos democratas

Casa Branca exige cooperação com deportações para reduzir presença federal no estado

Governo dos EUA condiciona recuo em Minneapolis à colaboração dos democratas
Agentes federais em operação em Minneapolis. Foto: AFP

Governo dos EUA condiciona recuo de agentes federais em Minneapolis à colaboração dos democratas com deportações em massa.

O governo dos Estados Unidos condicionou a redução da presença de agentes federais de imigração em Minneapolis à colaboração das autoridades democratas locais com as deportações em massa de imigrantes ilegais. A Casa Branca comunicou que o recuo ocorrerá apenas se os líderes locais entregarem aos agentes federais os estrangeiros ilegais criminosos detidos, além de concordarem em entregar todos os imigrantes ilegais presos e auxiliarem nas operações.

Conflito entre governo federal e autoridades locais

A tensão entre o governo do presidente Donald Trump e os democratas de Minnesota tem se intensificado após recentes operações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) que resultaram na morte de dois cidadãos americanos em menos de um mês. Estes episódios geraram repercussão negativa e protestos contra a presença federal no estado.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, as autoridades locais precisam cumprir três condições para que a presença federal seja reduzida: entregar todos os estrangeiros ilegais criminosos presos, entregar todos os estrangeiros ilegais detidos no futuro e colaborar com os agentes federais na prisão de criminosos estrangeiros ilegais. Caso essas condições sejam atendidas, a presença da agência de proteção de fronteiras (CBP) poderá ser retirada, embora o ICE não deixe completamente o estado.

O fim do status de santuário em Minnesota

Se as autoridades democratas aceitarem cooperar, o chamado status de santuário, que impede o compartilhamento de informações e a colaboração com agentes federais para proteger imigrantes, será efetivamente revogado. Essa política tem sido adotada por cidades como Minneapolis, sob governos locais democratas, que alegam que a cooperação com agentes federais prejudica o trabalho das polícias locais e a confiança das comunidades imigrantes.

Reação do presidente e nomeação estratégica

Em suas redes sociais, Donald Trump afirmou ter mantido uma “conversa muito boa” com o governador Tim Walz, sinalizando alinhamento nas estratégias. O presidente anunciou ainda o envio do encarregado das fronteiras Tom Homan para assumir o comando do ICE em Minneapolis, substituindo a atual supervisora, Kristi Noem.

Impactos sociais e acusações

As operações do ICE e do CBP em Minneapolis vêm provocando revolta entre moradores e tumultos nas ruas. Nas mortes recentes, o governo federal atribuiu responsabilidade às vítimas, acusando-as de agressão ou terrorismo doméstico, uma narrativa que tem sido contestada por setores da sociedade e da oposição.

A porta-voz da Casa Branca também acusou líderes democratas de incitarem a hostilidade contra agentes federais, o que, segundo ela, teria contribuído para a escalada da tensão e dos confrontos. Ela criticou comparações do ICE com a Gestapo nazista e pediu ao Congresso a aprovação de uma lei para impedir que governos locais deixem de colaborar com as autoridades migratórias.

Esses fatos expõem o embate político e social nos Estados Unidos acerca da imigração, o papel das autoridades locais e federais, e o equilíbrio entre segurança e direitos das comunidades imigrantes.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: AFP