Ex-ministro da Justiça retomou atividade advocatícia após deixar ministério em janeiro de 2026
Lewandowski reativou seu registro na OAB após pedir demissão do Ministério da Justiça em janeiro de 2026, retomando atividades na advocacia.
Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, reativou seu registro profissional na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) após pedir demissão do Ministério da Justiça em 8 de janeiro de 2026. O registro na OAB, cuja situação dele consta como “regular”, é obrigatório para o exercício da advocacia no Brasil.
Atividade entre cargos públicos
Após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2023, Lewandowski retomou temporariamente as atividades na advocacia. Segundo nota oficial divulgada em 26 de janeiro de 2026, ele prestou consultoria jurídica para o Banco Master durante o intervalo entre sua saída do STF e sua nomeação para o Ministério da Justiça, ocorrida em janeiro de 2024.
Lewandowski suspendeu seu registro na OAB ao assumir o ministério, deixando de atuar em casos advocatícios desde então. A consultoria junto ao Banco Master foi realizada por meio do escritório “Lewandowski Advocacia”, que tem como sócios dois de seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski.
Contrato com o Banco Master
Reportagem revelou que o escritório manteve contrato de consultoria com o Banco Master entre agosto de 2023 e setembro de 2025, mesmo após a entrada de Lewandowski no governo federal. O ex-ministro formalizou sua saída do escritório em 17 de janeiro de 2024.
O valor mensal do serviço de consultoria era de R$ 250 mil, totalizando um montante bruto estimado de pelo menos R$ 6,5 milhões durante o período do contrato. Até o momento, não houve confirmação oficial quanto aos detalhes exatos do contrato ou o envolvimento direto do ex-ministro após sua entrada no ministério.
Motivos da saída do Ministério da Justiça
Em carta pública, Lewandowski declarou que deixou o cargo por “razões de caráter pessoal e familiar”. Também ressaltou ter exercido a função “com zelo e dignidade”, apesar das dificuldades políticas, conjunturais e orçamentárias enfrentadas. Agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio e classificou como “privilégio continuar servindo ao País” após sua aposentadoria do STF.
Implicações e contexto
O caso levanta discussões sobre a atuação de ex-ministros em consultorias jurídicas e possíveis conflitos de interesse envolvendo consultorias prestadas entre períodos de cargos públicos. A situação do registro na OAB, suspenso durante o exercício do ministério e reativado após a demissão, segue o previsto na legislação que regula o exercício da advocacia no país.
Até a publicação desta reportagem, não houve manifestação oficial de Lewandowski ou do Banco Master sobre o montante ou a natureza dos serviços prestados. A situação segue sob análise no âmbito público e jurídico, levantando debates sobre transparência e ética na transição entre cargos públicos e atividade privada.





