Amapá intensifica combate à vassoura-de-bruxa da mandioca para conter perdas

Força-tarefa criada no Amapá visa frear avanço da doença quarentenária que afeta culturas em dez municípios

Amapá intensifica combate à vassoura-de-bruxa da mandioca para conter perdas
Planta de mandioca afetada pela vassoura-de-bruxa, doença que ameaça lavouras no Amapá. Foto: Embrapa/Adilson Lima

O Amapá instituiu medidas para conter a vassoura-de-bruxa da mandioca, doença que afeta dez municípios e ameaça a produção regional.

Amapá cria força-tarefa para conter a vassoura-de-bruxa da mandioca em dez municípios

A vassoura-de-bruxa da mandioca é uma ameaça crescente no estado do Amapá, onde foi oficialmente identificada em dez municípios: Oiapoque, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Porto Grande, Cutias do Araguari e Ferreira Gomes. Desde 27 de janeiro de 2026, a Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro) estabeleceu medidas rigorosas para conter a disseminação dessa doença quarentenária, que já provoca perdas severas na produção agrícola local.

Restrições ao transporte para controlar a disseminação da vassoura-de-bruxa da mandioca

Visando proteger áreas ainda livres da doença, a portaria publicada proíbe, por 120 dias, o transporte de plantas e partes de mandioca dos municípios afetados para regiões sem registro da praga. Estão vetados o trânsito de raízes com casca, folhas in natura, raspas para alimentação animal, puba (carimã) e raízes descascadas sem comprovação de destino. Por outro lado, produtos processados como farinha, tucupi, goma (polvilho), folhas cozidas e raízes lavadas e descascadas podem ser transportados desde que embalados a vácuo ou com destino comprovado. O descumprimento dessas regras implica penalidades administrativas e sanções penais.

Estrutura da força-tarefa e ações em campo para monitoramento e combate

Além da fiscalização do trânsito agropecuário em municípios como Ferreira Gomes e Tartarugalzinho, equipes técnicas realizam visitas a estufas térmicas na Aldeia Manda, em Oiapoque, para apoiar comunidades indígenas no combate à vassoura-de-bruxa. Também há monitoramento em agroindústrias de derivados da mandioca em Mazagão. A atuação da força-tarefa é coordenada pela Diagro, com suporte do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que declarou emergência fitossanitária devido ao risco à segurança alimentar e econômica da região.

Características da vassoura-de-bruxa da mandioca e impacto na produção agrícola

Definida pela Embrapa como doença de alto potencial destrutivo, a vassoura-de-bruxa é causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae. A enfermidade, também chamada de morte descendente da mandioca, se manifesta pelo escurecimento dos vasos da planta, secamento progressivo das hastes e formação de inúmeras brotações na parte afetada, dando o aspecto de uma “vassoura velha”. As plantas apresentam nanismo, folhas amareladas e secagem rápida, comprometendo drasticamente a produtividade. O fungo se propaga facilmente por meio de material de plantio contaminado e ferramentas agrícolas, o que exige rigoroso controle fitossanitário.

Dados oficiais e importância da resposta rápida para preservar a cadeia produtiva

Até o momento, foram realizadas 2.262 inspeções em propriedades rurais do Amapá, tendo 40 amostras coletadas para exame laboratorial. No Brasil, já foram registrados 53 casos confirmados da doença, sendo 48 deles no Amapá e 5 no Pará. O avanço da vassoura-de-bruxa representa uma grave ameaça para a economia local e para a segurança alimentar das comunidades rurais, demandando uma resposta coordenada e efetiva para evitar impactos ainda maiores.

A criação da força-tarefa para combater a vassoura-de-bruxa da mandioca demonstra o comprometimento do governo do Amapá e das autoridades agrícolas em proteger as lavouras, garantindo sustentabilidade e segurança para os produtores e consumidores da região.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Embrapa/Adilson Lima