Kim Kataguiri questiona repasse de R$ 1 milhão à Acadêmicos de Niterói por possível viés eleitoral no samba-enredo
Deputado Kim Kataguiri pede suspensão de repasse de R$ 1 milhão para escola de samba que terá enredo sobre Lula, alegando possível uso político do recurso público.
Contexto da ação contra o repasse para escola de samba com enredo sobre Lula
O deputado federal Kim Kataguiri protocolou na 4ª Vara Cível Federal de São Paulo, no dia 30 de janeiro de 2026, uma ação popular que questiona a transferência de R$ 1 milhão do governo federal para a escola de samba Acadêmicos de Niterói. Essa escola apresentará no Carnaval do Rio de Janeiro um enredo que narra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde sua origem em Pernambuco até a Presidência da República. Essa ação veio à tona em meio a um acordo entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que prevê o repasse total de R$ 12 milhões para as 12 escolas do grupo especial do Carnaval carioca, incluindo o valor destinado à Acadêmicos de Niterói.
Kataguiri destaca que o enredo contou com a participação ativa do presidente Lula, da primeira-dama Janja e de dirigentes do Partido dos Trabalhadores, sugerindo um possível uso político-eleitoral do recurso público. Segundo o deputado, esse repasse configura desvio de finalidade e afronta os princípios da impessoalidade e moralidade administrativa, além de representar um potencial dano ao erário público.
Detalhes do enredo e as alegações de viés político
O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói traz como tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, destacando a jornada pessoal e política do presidente. Na letra, são mencionadas referências que fazem alusão direta à campanha eleitoral de 2022, como o número 13, além do uso de gritos de guerra típicos do PT, como “Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!”.
Esses elementos foram destacados na ação judicial como indícios do caráter político-eleitoral do enredo, o que, segundo o deputado Kataguiri, reforçaria a ilegalidade do financiamento público. A ação popular pede a suspensão imediata do termo de cooperação técnica que prevê os repasses, o bloqueio de futuros pagamentos e a devolução dos valores eventualmente já transferidos.
Repercussão jurídica e encaminhamentos previstos
Além de solicitar a suspensão dos repasses, Kim Kataguiri requer a comunicação formal do caso ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal (MPF), visando a apuração de possíveis irregularidades administrativas. A iniciativa abre um precedente para o debate sobre o uso de recursos públicos em eventos culturais que possam ter caráter político ou eleitoral.
O procedimento judicial deverá avaliar se o financiamento da escola de samba respeita os princípios constitucionais e legais que regem a administração pública, principalmente no que diz respeito à impessoalidade e moralidade.
Impactos para o Carnaval e políticas culturais
O repasse da verba para as escolas de samba tem papel importante no financiamento do Carnaval do Rio, um evento cultural e turístico de grande relevância para o país. A suspensão dos recursos pode afetar a preparação e a realização da festa, em especial para a Acadêmicos de Niterói, que planeja um enredo com forte apelo político.
Essa controvérsia destaca a tensão existente entre financiamento público e liberdade artística, além de levantar questões sobre a influência da política em manifestações culturais tradicionais.
Panorama político e posicionamentos
A ação do deputado Kim Kataguiri, ligado à União Brasil, surge em um cenário político polarizado, com o presidente Lula e seu partido PT buscando manter apoio popular. O episódio revela como o Carnaval e suas expressões culturais podem se tornar arenas de disputa política, especialmente em anos eleitorais.
A defesa da escola de samba e do governo federal ainda não se manifestou oficialmente sobre a ação judicial, mas o caso deverá trazer debates sobre a regulamentação dos recursos públicos para eventos culturais com temáticas políticas.
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Este caso evidencia as complexidades envolvendo verba pública, cultura e política no Brasil, especialmente quando manifestações artísticas carregam mensagens que dialogam diretamente com o cenário eleitoral e governamental atual.





