SUS capacita profissionais da atenção básica para tratar depressão leve e ansiedade

Treinamento qualificado amplia atendimento em saúde mental nas UBSs, reduzindo filas para especialistas

SUS capacita profissionais da atenção básica para tratar depressão leve e ansiedade
Profissionais da atenção básica recebem treinamento para atender casos leves de depressão e ansiedade. Foto: Marcelo Camargo/ABr

O SUS capacita profissionais da atenção básica para atender casos leves de depressão e ansiedade, ampliando o cuidado e reduzindo filas para psicólogos e psiquiatras.

O SUS capacita profissionais da atenção básica para atender casos leves e moderados de depressão e ansiedade, ampliando a capacidade de cuidado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Essa iniciativa responde ao aumento da demanda por saúde mental e às longas filas para psicólogos e psiquiatras no sistema público.

A importância do treinamento e protocolos aplicados na atenção primária

A formação promovida pelo programa coordenado pela ImpulsoGov inclui 20 horas de aulas teóricas e cinco meses de prática supervisionada. Profissionais como agentes comunitários de saúde e técnicos de enfermagem aprendem a utilizar o Acolhimento Interpessoal (AIP), um modelo estruturado de escuta e intervenção breve, além de ferramentas como o PHQ-9 para avaliação da depressão e a escala Columbia para risco de suicídio. Com esse protocolo, o profissional consegue identificar quem pode ser acompanhado na unidade e quem deve ser encaminhado para atenção especializada.

Resultados iniciais apontam redução significativa dos sintomas entre pacientes

Dados do programa indicam que pacientes com depressão moderada, medidos pelo PHQ-9, apresentam redução de cerca de 50% nos sintomas após o acompanhamento na atenção básica. Em Aracaju, onde o projeto começou em 2024, cerca de 1.200 atendimentos já foram realizados, e muitos pacientes não precisaram ser encaminhados para especialistas, desafogando a rede especializada e reduzindo filas que chegam a 10 mil pessoas aguardando atendimento.

Desafios e perspectivas para ampliar a adesão e o impacto da capacitação

Apesar dos resultados positivos, a adesão dos profissionais à capacitação completa ainda é um desafio, dado o impacto emocional do trabalho em saúde mental. A gestão busca ampliar o número de capacitados para todas as unidades da cidade, promovendo acompanhamento contínuo e suporte para os profissionais. A experiência de enfermeiros e pacientes destaca a relevância do atendimento na atenção básica para integrar cuidados e reduzir o sofrimento mental na população.

A integração do cuidado em saúde mental com outras condições crônicas na atenção básica

O atendimento em saúde mental na atenção primária é fundamental, pois muitas vezes pacientes com outras condições como hipertensão, diabetes e gestação também apresentam sofrimento psíquico que interfere no tratamento. A capacitação dos profissionais possibilita intervenções precoces e acompanhamento próximo, evitando agravamentos e promovendo a saúde integral do paciente.

O papel estratégico da atenção básica para desafogar a rede especializada

Com protocolos claros e supervisão de especialistas, a atenção básica amplia sua resolutividade nos casos leves e moderados, evitando a sobrecarga dos ambulatórios e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). A coordenação técnica e o suporte remoto de psiquiatras garantem segurança no manejo dos casos, promovendo um sistema de saúde mais eficiente e acolhedor para as demandas crescentes de saúde mental.