Especialista aponta desorientação e falhas estratégicas no posicionamento internacional do Brasil durante período eleitoral

Alberto Pfeifer destaca a falta de estratégia e o isolamento do Brasil na política externa durante o ano eleitoral de 2026.
Desorientação da política externa brasileira em 2026 em ano eleitoral
A política externa brasileira enfrenta desorientação e perda de relevância internacional no último ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme avaliação do coordenador-geral do DSI-USP, Alberto Pfeifer. Segundo ele, não há uma estratégia clara para posicionar o país no cenário global, o que afeta negativamente a atuação do Brasil na América Latina e no mundo.
Críticas ao acordo Mercosul-União Europeia e sua relevância política
O acordo entre Mercosul e União Europeia, frequentemente destacado como um marco pelo governo, é apontado como um tratado fraco e desatualizado. Pfeifer ressalta que suas negociações começaram na década de 1990 e não acompanharam as transformações geopolíticas e tecnológicas recentes, especialmente a rivalidade entre Estados Unidos e China. Além disso, o Brasil não conseguiu aproveitar politicamente esse acordo, tendo sua assinatura oficial realizada no Paraguai, o que diminui seu protagonismo.
Falhas estratégicas nas alianças regionais e isolamento diplomático
Uma aposta mal sucedida mencionada por Pfeifer é a insistência do Brasil em apoiar a Venezuela de Nicolás Maduro, considerada uma leitura ultrapassada da política sul-americana. Essa postura contribuiu para o isolamento do país na região e a perda de influência entre os vizinhos. A ênfase em fóruns multilaterais como G20 e BRICS também não trouxe os resultados esperados, evidenciando uma desconexão entre as estratégias adotadas e as dinâmicas atuais do sistema internacional.
Perda de protagonismo regional e ascensão do Paraguai
A análise destaca que o Brasil não consegue liderar o Mercosul nem manter relações harmoniosas com países-chave como Argentina e Paraguai. Este último tem se destacado internacionalmente, exemplificado pela participação do presidente Santiago Peña no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde conseguiu melhorar a imagem e atrair investimentos. O aumento do interesse brasileiro pelo Paraguai indica mudança no equilíbrio regional.
Necessidade de redefinição da estratégia nacional na arena internacional
Além das críticas pontuais, Pfeifer ressalta que o problema transcende governos específicos e exige reflexão ampla da sociedade e do Estado brasileiro. Com vantagens estratégicas como recursos naturais, agricultura tropical, mineração e um sistema financeiro robusto, o Brasil tem potencial para reposicionar-se globalmente. O especialista enfatiza a urgência de revisitar e atualizar a grande estratégia do país para garantir seu protagonismo no cenário mundial.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: CNN Brasil





