STJ mantém condenação a emissora por imagens de velório em São Paulo

Superior Tribunal de Justiça confirma pagamento de indenização por divulgação não autorizada de velório de jovem morto em briga de torcidas

STJ confirma indenização de R$ 30 mil por divulgação não autorizada de velório de jovem morto em briga de torcidas em São Paulo.

STJ confirma condenação por divulgação indevida de velório em São Paulo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve por unanimidade a condenação contra uma emissora de televisão por exibir imagens do velório de um jovem morto em 2016 durante uma briga entre torcidas organizadas em São Paulo. A decisão, tomada pela 3ª Turma na terça-feira (3.fev.2026), reafirma a responsabilidade das empresas jornalísticas em respeitar direitos da personalidade e a dignidade da pessoa humana, mesmo após a morte. O relator Ricardo Villas Bôas Cueva classificou o caso como “uma história muito triste” e destacou que a divulgação das imagens ocorreu apesar dos apelos dos familiares, configurando ofensa moral.

Detalhes da decisão judicial e valor da indenização

A condenação original foi determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em 2018, quando a 2ª Vara Cível ordenou a retirada do ar de vídeos e matérias que exibiam a imagem da vítima e fixou indenização de R$ 30 mil por danos morais aos pais do jovem. No recurso especial ao STJ, a emissora alegou violação dos artigos 186 e 927 do Código Civil, que tratam da reparação por ato ilícito, e invocou dispositivos constitucionais que asseguram a liberdade de expressão e o acesso à informação. Entretanto, o colegiado negou provimento ao recurso, reforçando que a dignidade da pessoa humana transcende a vida e que direitos continuam após a morte.

Impactos sobre ética jornalística e direitos da personalidade

A decisão do STJ ressalta a importância do equilíbrio entre a liberdade de imprensa e o respeito à privacidade e dignidade das pessoas envolvidas em notícias sensíveis. A ministra Nancy Andrighi enfatizou que “a dignidade da pessoa humana se protrai após a morte”, indicando que direitos da personalidade possuem continuidade e merecem proteção judicial. O caso evidencia a necessidade de medidas cautelosas por parte dos veículos de comunicação ao lidar com imagens que possam causar sofrimento aos familiares e ferir normas éticas.

Repercussão e possíveis desdobramentos jurídicos

Embora o STJ tenha mantido a condenação, a emissora ainda possui a possibilidade de apresentar recurso à instância superior. A decisão serve de precedente relevante para outras situações envolvendo o uso indevido de imagens e informações pessoais em veículos midiáticos. A sociedade civil e os órgãos reguladores acompanham o caso como um marco para a discussão sobre limites da cobertura jornalística, direitos de imagem e proteção à privacidade.

Contexto do episódio e reação dos envolvidos

O jovem morreu em meio a uma violenta briga entre torcidas organizadas no estado de São Paulo, episódio que gerou grande comoção pública. A divulgação das imagens do velório sem consentimento dos pais intensificou o sofrimento da família e provocou reação contrária à emissora, culminando na ação judicial. A condenação reflete a posição das cortes brasileiras em garantir o respeito à dignidade humana mesmo diante do interesse público em notícias de repercussão.