Polícia Federal investiga investimento de R$ 400 milhões da previdência do Amapá

Operação Zona Cinzenta apura aplicação de recursos do RPPS do Amapá no Banco Master, liquidado pelo Banco Central

Polícia Federal investiga investimento de R$ 400 milhões da previdência do Amapá
Agentes da Polícia Federal durante cumprimento de mandados em Macapá. Foto: PF/Divulgação

PF apura investimento de R$ 400 milhões do RPPS do Amapá no Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central.

Contexto da investigação sobre o investimento da previdência do Amapá

A Polícia Federal iniciou, em 5 de fevereiro de 2026, a Operação Zona Cinzenta para apurar o investimento da previdência do Amapá, no valor de R$ 400 milhões, no Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central no ano anterior. A ação, autorizada pela 4ª Vara de Justiça Federal, foca em possíveis irregularidades cometidas pela Amprev, unidade gestora do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP).

A análise dos fatos considera se houve crimes de gestão temerária e fraudulenta na aprovação e execução desses investimentos, que são considerados de alto risco. O presidente da Amprev, Jocildo Lemos, destacou que o órgão administra recursos de aproximadamente 30 mil segurados ativos e 2.100 beneficiários, entre aposentados e pensionistas civis e militares.

Detalhes da aplicação e riscos associados ao Banco Master

O investimento realizado pela previdência do Amapá no Banco Master despertou preocupação, sobretudo devido à liquidação da instituição pelo Banco Central em 2025. A decisão da autoridade monetária demonstra que o banco enfrentava situação financeira insustentável, o que coloca em dúvida a prudência dos gestores na aplicação de recursos públicos tão significativos.

A suspeita de gestão temerária se baseia na possibilidade de aprovação e execução de investimentos sem a devida análise de risco e respaldo técnico, expondo o patrimônio previdenciário a perdas financeiras relevantes. A Operação Zona Cinzenta visa identificar os responsáveis pelos possíveis desvios e verificar a existência de dolo ou negligência na condução da aplicação.

Medidas judiciais para proteção dos recursos dos segurados

Em resposta às investigações, a Amprev divulgou nota assegurando que os recursos dos segurados estão protegidos. A 2ª Vara de Fazenda Pública de Macapá determinou que os valores provenientes dos empréstimos consignados dos servidores, aposentados e pensionistas vinculados ao Banco Master sejam retidos e transferidos para uma conta específica no Banco do Brasil, sob fiscalização judicial.

Essa medida impede que o Banco Master realize qualquer cobrança contra esses servidores enquanto tramita o processo judicial. Os valores retidos permanecem depositados em instituição financeira idônea e são submetidos à prestação de contas periódica a cada 90 dias, garantindo transparência e segurança no manejo dos recursos.

Impactos da investigação para a gestão previdenciária no Amapá

A operação da Polícia Federal ressalta a importância de uma gestão previdenciária prudente e transparente, especialmente para estados como o Amapá, onde milhares de segurados dependem da integridade financeira do RPPS para seu sustento futuro. O episódio evidencia também a necessidade de mecanismos rigorosos de controle e fiscalização das aplicações dos fundos previdenciários.

A repercussão da investigação pode gerar maior rigor nas políticas de investimento e fortalecer os instrumentos de governança pública no estado. Além disso, o caso destaca a vulnerabilidade aos riscos financeiros quando recursos públicos são aplicados em instituições com indicadores financeiros preocupantes.

A importância do controle judicial na proteção do patrimônio previdenciário

A decisão judicial que determina a retenção dos valores dos empréstimos consignados e a fiscalização da prestação de contas reforça a relevância do papel do Judiciário na proteção do patrimônio dos segurados. Esse controle contribui para mitigar impactos negativos e assegurar que os recursos sejam geridos de forma responsável até o deslinde completo da investigação.

A atuação coordenada entre a Polícia Federal, o sistema judiciário e a gestão previdenciária busca restabelecer a confiança dos segurados e garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário estadual a longo prazo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: PF/Divulgação