Proposta de código de conduta evidencia desafios institucionais e crise de confiança no Supremo Tribunal Federal

Decisões de Fachin expõem dúvidas sobre STF, destacando crise de legitimidade e necessidade de reforma interna na Corte.
A crise de legitimidade evidenciada pelas decisões de Fachin
As decisões de Fachin no Supremo Tribunal Federal (STF) ilustram uma crise profunda que ultrapassa o campo jurídico e abala a legitimidade institucional da Corte. Em 2 de fevereiro de 2026, durante participação no programa “WW Especial”, o cientista político Creomar de Souza, CEO da consultoria Dharma Politics, analisou que o problema central não reside apenas na Constituição, mas na confiança simbólica e prática que a população deposita nas instituições democráticas. Ele argumenta que a democracia se sustenta em regras e compromissos que incluem a crença da sociedade no funcionamento do sistema judicial.
Impacto histórico e atual do STF na ordem constitucional
Creomar reconhece o papel histórico do STF na defesa da Constituição de 1988, mas ressalta que o reconhecimento desse papel não impede críticas legítimas acerca da atuação atual dos ministros. Ele destaca que dúvidas crescentes sobre a conduta de integrantes da Suprema Corte não significam ingratidão pelo passado, mas indicam uma necessidade de reflexão e aprimoramento para manter a confiança pública e a efetividade das decisões judiciais no presente.
Politização e visibilidade inédita da Suprema Corte
O cientista político observa que o STF assumiu papel central no debate público brasileiro, tornando-se um palco de discussões amplamente conhecidas pela população. Essa política de visibilidade acentuada contribui para a percepção de que as decisões judiciais estão imersas em dinâmicas políticas, o que pode comprometer a neutralidade esperada da Corte e alimentar questionamentos sobre sua imparcialidade.
Desafios institucionais do presidente do STF e o código de conduta
Fachin, como presidente do STF, enfrenta limitações institucionais, já que não possui hierarquia sobre os demais ministros. Qualquer ação sua, inclusive a proposta de um código de conduta, pode ser interpretada tanto como iniciativa necessária quanto como gesto político controverso. A escolha da ministra Cármen Lúcia para relatar o projeto adiciona uma camada de tensão interna, pois há ministros que discordam da necessidade desse código, evidenciando divergências sobre o rumo da governança da Corte.
O futuro do STF e a reconstrução da confiança social
Para Creomar de Souza, o principal desafio do STF é reconquistar sua legitimidade em um ambiente institucional fragmentado e durante um ano político considerado crítico. A capacidade da Corte de restaurar sua reputação será fundamental para validar suas decisões com impacto social profundo. O equilíbrio entre autonomia judicial e responsabilidade institucional será determinante para a sobrevivência do STF enquanto pilar da democracia brasileira.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





