Comércio entre Brasil e China fortalece agronegócio com receita de US$ 100 bilhões

Exportações brasileiras para a China alcançam novo recorde em 2025, destacando a importância da relação bilateral para o agro nacional

Comércio entre Brasil e China fortalece agronegócio com receita de US$ 100 bilhões
Exportação de produtos agrícolas brasileiros para a China em destaque. Foto: Amanda Perobelli

Em 2025, comércio entre Brasil e China gera receita recorde de US$ 100 bilhões para o agronegócio brasileiro.

Comércio entre Brasil e China gera receita recorde de US$ 100 bilhões em 2025

O comércio entre Brasil e China atingiu a marca expressiva de US$ 100 bilhões em receita para o agronegócio brasileiro em 2025, conforme relatório do Conselho Empresarial Brasil-China. Essa cifra simboliza o segundo maior valor registrado na série histórica iniciada em 1997, ficando atrás apenas dos US$ 104 bilhões de 2023. O pesquisador agrícola Liu Jinlu destaca que o crescimento das exportações brasileiras, especialmente de soja, impulsionou esse resultado.

Histórico e fatores que consolidaram a relação comercial bilateral

A intensificação da relação comercial entre os dois países começou em 2018, em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China e ao surto de peste suína africana na China. Esses eventos criaram uma demanda urgente por fornecedores confiáveis de grãos e proteínas, posição que o Brasil aproveitou ao oferecer volume, preços competitivos e capacidade logística para grandes exportações.

Durante a pandemia de coronavírus em 2020, o papel do Brasil como parceiro estratégico se solidificou, já que as restrições logísticas globais aumentaram a dependência chinesa da oferta brasileira. Assim, o comércio entre Brasil e China passou a ser crucial para a segurança alimentar e econômica dos dois países.

Principais produtos exportados e tendências do mercado

A soja lidera as exportações brasileiras para a China, que importou 111,83 milhões de toneladas em 2025 — um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. O Brasil deteve cerca de 73,6% desse mercado. Além da soja, a carne bovina também teve destaque, com a China respondendo por 48% do volume exportado, totalizando 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,90 bilhões em receita.

Por outro lado, as exportações de carne suína para a China diminuíram em 33,9%, com as Filipinas assumindo a liderança. A carne de frango teve uma retração devido a restrições impostas pela China após a confirmação de gripe aviária em maio de 2025. No entanto, novos mercados para produtos como sorgo e DDG (grãos secos de destilaria) têm surgido, ampliando as oportunidades de exportação brasileiras.

Impactos econômicos e desafios da dependência do mercado chinês

A relação comercial entre Brasil e China é caracterizada por uma interdependência que traz benefícios e riscos. A demanda chinesa sustenta preços e garante competitividade para o agronegócio nacional, mas qualquer alteração nas políticas sanitárias, comerciais ou econômicas da China pode afetar imediatamente as cadeias produtivas brasileiras.

Essa vulnerabilidade levou o governo brasileiro a buscar diversificação de mercados para reduzir riscos associados à concentração das exportações em um único país, protegendo os produtores das oscilações e garantindo maior resiliência ao setor.

Perspectivas futuras para a cooperação Brasil-China no agronegócio

O futuro do comércio entre Brasil e China permanece promissor, com perspectivas de manutenção da China como principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Para sustentar essa posição, o Brasil precisa continuar investindo em logística eficiente, qualidade sanitária e inovação tecnológica.

A diversificação de mercados complementa essa estratégia, buscando equilibrar a dependência e fortalecer a segurança comercial dos produtores. Para a China, assegurar um abastecimento seguro e diversificado reforça a necessidade contínua de parceria com o Brasil, sobretudo em alimentos e insumos para biocombustíveis.

Assim, a relação bilateral continuará a influenciar não apenas o agronegócio, mas também a economia e o equilíbrio dos preços internos brasileiros, destacando-se como um eixo estratégico na dinâmica global do comércio agrícola.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Amanda Perobelli