Primeiro-ministro francês prioriza energia e defesa após aprovação orçamentária

Sebastien Lecornu define agenda estratégica visando crescimento sustentável e segurança nacional para 2026

Primeiro-ministro francês prioriza energia e defesa após aprovação orçamentária
O primeiro-ministro Sebastien Lecornu durante reunião oficial. Foto: Pool via REUTERS

Sebastien Lecornu apresenta prioridades para 2026 após aprovação do orçamento francês, com foco em energia, defesa e reformas administrativas.

Prioridades do primeiro-ministro francês para 2026

Menos de uma semana após a aprovação do orçamento da França para 2026, o primeiro-ministro francês Sebastien Lecornu apresentou sua agenda estratégica para os próximos meses. Essa definição ocorre em um contexto marcado por uma longa batalha orçamentária que consumiu a política do país por quase dois anos e provocou a saída de dois primeiros-ministros antes de Lecornu assumir em setembro.

Lecornu destacou, em seu pronunciamento, que o novo orçamento busca reduzir o déficit público para 5% sem aumento de impostos, um feito que surpreendeu muitos analistas e políticos no outono passado. As medidas anunciadas focam especialmente em dois setores cruciais: energia e defesa, reafirmando o compromisso do governo em garantir segurança energética e fortalecimento das Forças Armadas.

Investimentos em energia e o futuro do setor nuclear

O primeiro-ministro confirmou que o programa energético plurianual, atrasado por mais de dois anos, será finalmente assinado por decreto até o final da próxima semana. Um dos pontos centrais dessa política é a decisão da estatal EDF de construir seis novos reatores nucleares, com opção para mais oito, reforçando a importância da energia nuclear para a matriz energética francesa.

Além da energia nuclear, o governo manterá investimentos ambiciosos em fontes renováveis, como energia eólica offshore, solar e geotérmica, buscando diversificar e modernizar o abastecimento energético. Lecornu ressaltou também a necessidade de acelerar a eletrificação do consumo, com a meta de que 60% do consumo energético da França em 2030 seja elétrico, o que representa um esforço significativo para a descarbonização e a transição energética.

Fortalecimento da defesa e atualização do planejamento militar

Outro destaque da agenda é o aumento expressivo do orçamento da defesa, que deve dobrar entre 2017 e 2027, alcançando 57 bilhões de euros (aproximadamente 67,35 bilhões de dólares). Lecornu afirmou que esse incremento é essencial diante do novo cenário internacional e das demandas de segurança do país.

Ele também anunciou que a lei de programação militar será atualizada até o Dia da Bastilha, em 14 de julho, reforçando o compromisso do governo com a modernização e eficiência das Forças Armadas para responder a desafios externos e internos.

Reformas administrativas e participação do setor público local

O primeiro-ministro enfatizou a urgência de reenfocar o papel do Estado em determinadas áreas, considerando tanto o contexto internacional quanto a situação das finanças públicas. Para isso, o governo pretende envolver mais os atores públicos locais, descentralizando algumas competências e fortalecendo a gestão regional.

Além disso, Lecornu anunciou a apresentação ao parlamento, antes das eleições locais de março, de um projeto de lei contendo 50 medidas de simplificação administrativa. Essa iniciativa visa reduzir a burocracia, aumentar a eficiência e modernizar o funcionamento do setor público francês.

Manutenção e reforma do programa social AME

Apesar das pressões da extrema direita para eliminar a Assistência Médica do Estado (AME), que atende principalmente migrantes sem documentos, Lecornu prometeu manter o programa. No entanto, anunciou a implementação de dois decretos para reformar o sistema: um para combater fraudes, que deve gerar uma economia estimada em 180 milhões de euros, e outro para modernizar os sistemas de tecnologia da informação, garantindo melhor controle e acesso por parte dos funcionários públicos responsáveis.

Essa postura evidencia o equilíbrio que o governo busca entre manter direitos sociais e responder a críticas sobre a gestão dos recursos públicos.

Contexto político e desafios futuros

Embora as pesquisas indiquem que nem os centristas do presidente Emmanuel Macron nem os conservadores estariam em posição de derrotar a extrema direita do Rassemblement National nas eleições presidenciais de 2027, Sebastien Lecornu reafirmou que não tem interesse em concorrer ao cargo. Ele também mencionou a possibilidade de uma pequena remodelação no gabinete antes das eleições locais do próximo março, demonstrando que ajustes estratégicos ainda estão em curso para fortalecer a governabilidade.

A agenda definida pelo primeiro-ministro francês reflete uma tentativa de consolidar avanços econômicos e sociais, garantir a segurança nacional e preparar o país para os desafios globais que se apresentam, incluindo a transição energética e a complexidade do cenário geopolítico atual.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Pool via REUTERS