CPMI do INSS ouve investigados em esquema de descontos irregulares

Filho de Maurício Camisotti e deputado Edson Araújo são convocados para esclarecer fraudes na folha de pagamento do INSS

CPMI do INSS ouve investigados em esquema de descontos irregulares
Reunião da CPMI do INSS no Senado Federal para investigação das fraudes Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

CPMI do INSS ouve investigados por fraudes na folha de pagamento de aposentados em esquema que levou a demissões no órgão.

Contexto da CPMI do INSS e convocação dos investigados

A CPMI do INSS iniciou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, os depoimentos ligados à investigação do esquema de descontos indevidos na folha de pagamento dos aposentados e pensionistas. A comissão convocou o empresário Paulo Otávio Montalvão Camisotti, filho de Maurício Camisotti, investigado pela Polícia Federal (PF) por sua suposta participação na intermediação das fraudes. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), lidera os trabalhos que buscam esclarecer os mecanismos e envolvidos nesse esquema que afeta segurados do INSS.

Depoimentos e uso de habeas corpus na CPMI do INSS

Paulo Otávio Camisotti foi autorizado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a permanecer em silêncio durante seu depoimento à CPMI do INSS. Essa decisão foi alvo de críticas dentro da comissão. Além dele, o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA), também investigado na Operação Sem Desconto da PF, está na lista de convocados. Araújo tentou postergar sua audiência alegando problemas de saúde e entrou com habeas corpus para evitar o depoimento, mas o ministro Dino negou o pedido, mantendo sua obrigação de comparecer, ainda que possa se calar.

Investigação da Operação Sem Desconto e impactos no INSS

A Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, baseia-se em evidências de fraudes nos descontos mensais repassados pelas entidades às associações de aposentados. O esquema investigado mostra que as arrecadações dessas entidades saltaram para cerca de R$ 2 bilhões em um ano, enquanto milhares de processos por fraude tramitam na Justiça. A operação resultou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) são as principais autoridades responsáveis pelas apurações.

Conflitos e ameaças entre parlamentares relacionados à investigação

Em 2025, o vice-presidente da CPMI do INSS, deputado federal Duarte Júnior (PSB-MA), registrou boletim de ocorrência contra o deputado estadual Edson Araújo. O motivo foi uma ameaça recebida via WhatsApp, em meio ao desenrolar das investigações. O episódio reforça o clima de tensão e pressão entre os parlamentares envolvidos no escândalo do INSS. Duarte Júnior utilizou suas redes sociais para informar sobre as ameaças, destacando a necessidade de transparência e respostas para o caso.

A importância da CPMI do INSS para a transparência e combate às fraudes

A instalação da CPMI do INSS representa um esforço conjunto do Congresso Nacional para desvelar as irregularidades no sistema previdenciário que prejudicam diretamente os aposentados e pensionistas. O trabalho da comissão tem por objetivo garantir a responsabilização dos envolvidos, aprimorar a fiscalização dos descontos realizados e preservar os direitos dos segurados. Além disso, a atuação da CPMI contribui para fortalecer a confiança da sociedade nas instituições e prevenir novos esquemas fraudulentos no setor público.

Conclusão e próximos passos na investigação

A continuidade dos depoimentos e a análise dos documentos financeiros obtidos pela CPMI do INSS são passos essenciais para a elucidação do esquema de descontos irregulares. A comissão deve avançar na convocação de demais envolvidos e na proposição de medidas legislativas que coíbam práticas semelhantes. A repercussão do caso evidencia a necessidade de maior rigor no controle das associações e entidades que atuam junto aos beneficiários do INSS para garantir a proteção social e a justiça fiscal.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo