Rebaixamento para CCC+ reflete risco elevado de reestruturação e impacto financeiro da empresa

Raízen sofre rebaixamento do rating pela Moody's após cortes anteriores da S&P e Fitch, refletindo desafios financeiros e planos de reestruturação.
Rebaixamento do rating da Raízen pela Moody’s reforça cenário preocupante
O rating da Raízen foi rebaixado para CCC+.Br pela Moody’s Local Brasil, conforme informado na manhã de hoje, pouco depois de a S&P Global e Fitch Ratings terem promovido cortes similares. A decisão das agências reflete o aumento do risco de reestruturação da dívida da companhia, destacando fragilidades financeiras recentes. A Moody’s alterou a perspectiva da empresa de negativa para “em revisão para rebaixamento”, evidenciando o agravamento de seu perfil de crédito.
Histórico recente de avaliações creditícias e seus impactos
Dois dias antes do rebaixamento pela Moody’s, a S&P Global reduziu o rating global da Raízen para CCC+ e o nacional para brCCC+, colocando ambos sob CreditWatch negativo. A Fitch Ratings também revisou a nota da companhia para baixo, mantendo-a sob observação negativa. Essas decisões foram fundamentadas em fatores como fluxo de caixa operacional negativo, amortizações consideráveis no curto prazo e dificuldades para captar recursos adicionais, além da contratação de assessores financeiros, interpretada como preparação para negociações com credores.
Estratégias adotadas pela Raízen para lidar com a crise financeira
Diante do quadro de deterioração, a Raízen contratou os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb para assessorar na busca por soluções que fortaleçam a liquidez e otimizem a estrutura de capital. Além disso, a empresa anunciou medidas como a venda de ativos não essenciais e a redução significativa do Capex, especialmente em projetos de etanol de segunda geração. Também foram implementados cortes na distribuição de dividendos, mudanças na alta administração e um rigor maior no controle de custos e eficiência operacional. Cosan e Shell, acionistas da Raízen, avaliam alternativas para reforçar o capital, incluindo a atração de novos investidores.
Potenciais negócios e impacto da venda de ativos na Argentina
No início de fevereiro, a trading suíça Mercuria Energy Group fez uma oferta para adquirir uma refinaria e diversos postos de combustíveis da Raízen na Argentina, em uma transação que pode superar US$ 1 bilhão. Embora ainda não haja acordos vinculantes, essa possível alienação de ativos faz parte do esforço de desinvestimento para recompor liquidez e restaurar a confiança de investidores e credores. Essa operação se destaca como um dos movimentos mais relevantes na estratégia atual da empresa.
Desafios financeiros e perspectivas para o futuro próximo
No segundo trimestre da safra 2025/2026, a Raízen reportou prejuízo líquido superior a R$ 2,3 bilhões, com a dívida líquida alcançando R$ 53,4 bilhões ao final de setembro de 2025. O aumento do endividamento foi impulsionado por elevados investimentos, maiores necessidades de capital de giro, aumento do custo da dívida e desvalorização do real ante o dólar. A alavancagem financeira deve atingir seu pico entre 2024 e 2025, entre 3,0 e 3,5 vezes dívida líquida sobre EBITDA, patamar superior ao histórico da companhia. A empresa deve divulgar os resultados do terceiro trimestre da safra 2025/2026 ainda nesta semana, em meio aos esforços para desalavancagem e reestruturação, com a expectativa de reduzir a alavancagem para cerca de 2,5 vezes até o fim do ano fiscal de 2026, conforme avaliação da S&P. No entanto, a volatilidade e a sazonalidade do setor continuam sendo riscos importantes para a recuperação.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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