Lucro do Banco do Brasil recua 45% em 2025 devido à inadimplência no agronegócio

Resultado anual de R$ 20,7 bilhões reflete aumento das provisões para perdas e desafios no crédito rural

O lucro do Banco do Brasil caiu 45,4% em 2025, totalizando R$ 20,7 bilhões, impactado pela inadimplência no agronegócio e aumento das provisões para perdas.

O lucro do Banco do Brasil apresentou uma queda significativa em 2025, alcançando R$ 20,7 bilhões, o que representa uma retração de 45,4% em comparação ao ano anterior. Esse desempenho foi impactado principalmente pelo aumento da inadimplência no setor do agronegócio, conforme divulgado pelo banco em 11 de fevereiro de 2026. A presidente da instituição, Tarciana Medeiros, destacou o desafio enfrentado pelo banco e a expectativa de recuperação da rentabilidade ao longo de 2026.

Impacto das provisões para perdas esperadas na rentabilidade do banco

Um fator determinante para a queda no lucro do Banco do Brasil foi o aumento expressivo na provisão para perdas esperadas (PDD), que alcançou R$ 61,95 bilhões em 2025, representando um crescimento de 73,5% em relação ao ano anterior. Esse montante reflete valores que o banco não espera receber, especialmente devido à inadimplência crescente dos produtores rurais, que representaram R$ 32,35 bilhões do total de provisões. No último trimestre do ano, a PDD manteve-se estável em R$ 17,96 bilhões, evidenciando um controle das perdas no curto prazo.

Crescimento da carteira de crédito e segmentos em alta

Apesar do cenário desafiador, a carteira de crédito do banco fechou 2025 em R$ 1,3 trilhão, com crescimento anual de 2,5%. Esse avanço foi puxado principalmente pelos cartões de crédito, que tiveram aumento de 19,6%, e pelos créditos não consignados (11,8%) e consignados (8,1%). O Crédito do Trabalhador destacou-se como um vetor importante, com mais de R$ 13 bilhões em desembolsos realizados em mais de 1,5 milhão de operações. Por outro lado, os empréstimos para pessoas jurídicas e para o agronegócio cresceram de forma tímida, 0,6% e 2,1%, respectivamente.

Indicadores de inadimplência e desafios para o setor rural em 2025

O índice de inadimplência acima de 90 dias terminou dezembro em 5,17% da carteira, um aumento expressivo em relação aos 3,16% registrados no ano anterior. A piora no crédito agrícola foi um dos principais motores desse aumento, refletindo uma série de recuperações judiciais entre produtores rurais. Essa situação exigiu do Banco do Brasil a adoção de medidas para mitigar riscos e fortalecer garantias, conforme mencionou a presidência da instituição.

Perspectivas e estratégias do Banco do Brasil para 2026

Para o ano de 2026, o Banco do Brasil projeta um aumento de 0,5% a 4,5% na carteira de crédito, com redução do custo dos empréstimos para uma faixa entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. O lucro líquido ajustado estimado para o período está entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A administração reforça o compromisso com a mitigação de riscos, disciplina na execução e fortalecimento da parceria histórica com o agronegócio, buscando retomar patamares mais elevados de rentabilidade. Além disso, será realizada a distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) no valor total de R$ 1,23 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025 aos acionistas.

Este balanço evidencia a complexidade do ambiente econômico e financeiro enfrentado pelo Banco do Brasil, que precisa equilibrar crescimento da carteira e controle da inadimplência para garantir a sustentabilidade dos seus resultados.