Programa da Fundação Oswaldo Cruz oferece experiência prática e inspira jovens a superar barreiras de gênero na ciência

A imersão na Fiocruz inspira meninas a seguir carreira científica, enfrentando desigualdades históricas nas áreas de ciência e tecnologia.
Imersão na Fiocruz destaca importância da participação feminina na ciência
A imersão na Fiocruz tem inspirado meninas a trilhar caminhos na carreira científica, especialmente em um contexto onde as áreas de STEM ainda são dominadas por homens. Nesta iniciativa, estudantes do ensino médio têm a oportunidade de vivenciar o ambiente científico durante três dias, como ocorreu recentemente no verão com 150 jovens da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A aluna Raíssa Cristine de Medeiros Ferreira, de 17 anos, é um exemplo vivo desse movimento. Ao participar duas vezes da imersão e cursar técnico em Química, ela demonstra como a curiosidade aliada ao estímulo da família pode direcionar uma jovem para a ciência. Sua amiga Beatriz Antônio da Silva reforça a importância das professoras que compartilham suas experiências de superação para motivar novas gerações.
Programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz amplia acesso e visibilidade
O Programa Mulheres e Meninas na Ciência, coordenado por Beatriz Duqueviz, tem como missão fomentar o interesse feminino pela ciência, promover pesquisas sobre gênero e valorizar cientistas mulheres. A iniciativa surgiu na gestão de Nísia Trindade, primeira mulher a presidir a Fiocruz e exercer o cargo de ministra da Saúde, ressaltando a relevância de aumentar a diversidade e a sensibilidade na área.
Segundo Duqueviz, a desmotivação começa na infância e se agrava para meninas em situação de vulnerabilidade, que precisam conciliar estudos com tarefas domésticas. O programa atua para reverter esse quadro por meio da imersão e outras ações educacionais.
Conhecendo a ciência além dos estereótipos em laboratórios e publicações
Durante a imersão, as estudantes visitam laboratórios equipados com microscópios e provetas, mas também espaços menos tradicionais, como o Laboratório de Conservação Preventiva e a redação da Revista Cadernos de Saúde Pública. Essa diversidade de ambientes evidencia que a carreira científica abrange múltiplas dimensões e é fruto de esforços multidisciplinares.
Luciana Dias de Lima, co-editora chefe da revista, destaca os desafios que mulheres enfrentam para assumir posições de liderança, principalmente devido ao acúmulo de responsabilidades familiares e preconceitos enraizados.
Estímulo à ciência para meninas negras e superação de tabus sociais
A participação de meninas negras na imersão é incentivada por projetos específicos que abordam as barreiras históricas enfrentadas por esses grupos. Professores que vivenciaram preconceitos compartilham suas trajetórias para abrir caminhos e fortalecer a autoconfiança das estudantes.
Sulamita do Nascimento Morais, de 17 anos, relata como a imersão e outras iniciativas a ajudaram a perceber que a tecnologia e a ciência são áreas acessíveis para mulheres, rompendo o tabu de que esses campos seriam exclusivamente masculinos.
Impacto da imersão na Fiocruz para o futuro das jovens cientistas
O contato direto com ambientes científicos reais, aliado ao suporte de pesquisadoras e educadoras, promove um entendimento mais amplo do que significa ser cientista. A imersão na Fiocruz mostra que não é necessário nascer um gênio para seguir uma carreira científica, mas sim ter curiosidade, disciplina e oportunidade.
Essa experiência contribui para reduzir a desigualdade de gênero nas áreas de STEM e incentiva meninas a visualizarem um futuro profissional nelas, ampliando o acesso à ciência e tecnologia no Brasil.
Fonte: www.redetv.uol.com.br





